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PERFORMATIVIDADE DE GÊNERO: A EU LÍRICA NA POESIA ESCRITA POR MULHERES
Natália Salomé de Souza

Última alteração: 17-10-18

Resumo


A presente pesquisa tem como objetivo discutir as performances femininas poéticas em uma perspectiva feminista embasada na performatividade de gênero (BUTLER, 2016) e no continuum lésbico (RICH, 2010) e feminino. Aponta-se para a necessidade de uma linguagem não sexista presente na crítica literária no sentido de colocar em xeque a ideia de um ser humano universal inscrito na linguagem e na língua através do masculino. A partir dessa constatação, nasce a tese da eu lírica. Proponho que a eu lírica seja um expediente da crítica literária que vise à evidência de um corpo textual feminino dentro da poesia. A necessidade do conceito da eu lírica se dá uma vez que, nos manuais de crítica literária, é possível encontrar a convergência entre as figuras do autor empírico e o do eu lírico (WELLEK, WARREN, 1971; HAMBURGER, 1975; COUTINHO, 1976; PAZ, 1982; MOISÉS, 2012), mas sempre obliterando as implicações do gênero do(a) autor(a) na configuração da voz lírica. Nota-se, na tradição crítica, um apelo a uma figura supostamente universal de poeta, atrelado ao sintagma masculino “eu lírico” que responderia pela subjetividade de todos os seres humanos (COUTINHO, 1976). Contudo, percebe-se com a crítica feminista (HOMANS, 1980; SCHMIDT, 1997; WIECHMANN, 2013; SAFIOTTI, 2015; DALCASTAGNÉ, 2017) que esse universal corresponde a uma classe específica de pessoas, que é a do gênero masculino (WITTIG, 1985). No primeiro capítulo da tese, analiso como, na língua portuguesa, justifica-se o uso do gênero masculino da linguagem enquanto universal, e aponto para os modos como esse uso da linguagem se encontra dentro de um discurso falogocêntrico e patriarcal que apaga a existência e a possibilidade de fala das mulheres. A partir dessa discussão, fundamento a necessidade de instauração da eu lírica como voz enunciadora do poema que indica as especificidades femininas. No segundo capítulo, discuto como as identidades femininas se modificam de acordo com diferentes correntes feministas e chego à conclusão de que, para esta pesquisa, mulher é uma performance (BUTLER, 2016). Essa discussão leva à minha tese de que a eu lírica é um conceito que pretende revelar performances enunciativas de mulheres na poesia. Pretendo, com base nessas discussões, analisar no terceiro capítulo as performances discursivas da eu lírica na poesia da Maria Teresa Horta, Joy Ladin e Mel Duarte.

 


Palavras-chave


Crítica Feminista; eu lírica; performance de gênero; continuum lésbico; continuum feminino

Referências


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