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BOE EIEDODU E A ONOMÁSTICA BORORO – UM ESTUDO PRELIMINAR DOS NOMES PESSOAIS
FERNANDO ANTÔNIO VELASCO, ÁUREA CAVALCANTE SANTANA

Última alteração: 17-10-18

Resumo


O presente estudo discorre preliminarmente sobre a onomástica bororo, a partir do nome pessoal, levando em consideração sua epistemologia e cosmologia em torno da origem dos Bororo e dos seus clãs e subclãs. A pesquisa abonou narrativas sobre os nomes pessoais dos moradores da Aldeia Tadarimana, da etnia Bororo, na cidade de Rondonópolis, Mato Grosso, além de dados onomásticos no último censo demográfico, realizado em 2017. O estudo em questão levou em consideração os nomes pessoais clânicos e seus significados, bem como sua história, concebidos nas narrativas concedidas pelos colaboradores, tanto de maneira formal como informal. Os nomes foram analisados à luz da ciência linguística onomástica, igualmente pelo viés da antroponímia, ciência esta desenvolvida pelo filólogo José Leite de Vasconcellos, no ano 1887, que visa buscar explicações para os nomes pessoais a fim de acompanhar o movimento das línguas vernáculas através dos tempos.  Apresentamos inicialmente breves considerações em torno das histórias e trajetórias construídas sobre e pelos Bororo desde que foram contatados, ainda no século XVII. Discorremos sobre as características físicas e espaciais atuais da Terra Indígena Tadarimana, bem como da Aldeia Tadarimana. Discutimos brevemente em torno do patrimônio epistemológico e da identidade cultural bororo e como ambos estão interligados à formação social bororo. Finalmente, conjecturamos o processo de nominação que os Bororo utilizam na doação do nome à pessoa. Procuramos estabelecer uma relação direta entre esse ato com o ritual Boe Eiedodu, entendido como ritual de imposição de nome (CRUZ, 1939) ou simplesmente nominação (VIERTLER, 1978). O estudo culminou num inventário preliminar sobre a classificação onomástico-antroponímica de nomes pessoais na tradição bororo.


Palavras-chave


Onomástica/Antroponímia Bororo, Língua Bororo, Aldeia Tadarimana, Boe Eiedodu.

Referências


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