Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, X Mostra da Pós-Graduação: Direitos Humanos, trabalho coletivo e redes de pesquisa na Pós Graduação

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Efeito de agentes de controle biológico sobre comunidades de fungos micorrízicos arbusculares no cerrado
Fábio de Azevedo Silva, Marcos Antônio Soares

Última alteração: 25-10-18

Resumo


A interação entre fungos e plantas pode promover o controle biológico de pragas e patógenos. As espécies Trichoderma asperellum e Trichoderma harzianum controlam o fitopatógeno causador do mofo branco do feijão - Sclerotinia sclerotiorum. Contudo, o impacto da introdução de agentes de biocontrole sobre a comunidade de fungos micorrízicos arbusculares é pouco explorado. Neste trabalho foi avaliado o impacto de Trichoderma spp. sobre fungos micorrízicos arbusculares em solos nativos do cerrado cultivados com feijão comum (Phaseolus vulgaris). Foram organizados os tratamentos controle (sem inóculo), Doença (inoculado com S. sclerotiorum), T. harzianum e T. asperellum. Amostras de 100g de solo foram coletadas antes do cultivo de feijão e 90 dias depois do plantio. A extração dos esporos de fungos micorrízicos do solo foi realizada por peneiramento em via úmida e centrifugação em solução de sacarose 50% (m/v). Feijoeiros foram coletados após 90 dias de cultivo para remoção e diafanização das raízes. Raízes foram coradas com azul de tripano e posicionadas em lâminas de microscopia para quantificar a taxa de infecção micorrízica. Todas as amostras de raízes analisadas apresentaram estruturas de fungos micorrízicos como hifas cenocíticas, arbúsculos, vesículas e esporos, além de estruturas típicas de fungos dark septados. Não houve diferença significativa na taxa de infecção micorrízica entre os tratamentos inoculados e controle, indicando que não houve influência significativa de Trichoderma spp. sobre a taxa de colonização. Apenas os tratamentos inoculados com Trichoderma spp. apresentaram aumento significativo da abundância de esporos de fungos endomicorrízicos. Foram isolados esporos de 30 espécies de fungos micorrízicos, sendo 29 espécies no solo nativo e 27 após 90 dias de cultivo. Não houve diferença significativa na riqueza de espécies (i) entre tratamentos inoculados e o controle (ii) entre os períodos 0 e 90 dias. Portanto, o uso de Trichoderma spp. como agentes de biocontrole no cerrado é seguro no que diz respeito a comunidades de fungos micorrízicos, pois sua composição e riqueza das espécies não foram afetadas significativamente. Porém a abundância de esporos de fungos micorrízicos foi significativamente estimulada por ambas as espécies de Trichoderma spp.


Palavras-chave


Biocontrole; Trichoderma; Cerrado; Micorrízas

Referências


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