Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, X Mostra da Pós-Graduação: Direitos Humanos, trabalho coletivo e redes de pesquisa na Pós Graduação

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AS TRAJETÓRIAS DAS PROFESSORAS BORORO NA EDUCAÇÃO ESCOLAR INDÍGENA
neide da silva campos, Beleni Saléte Grando

Última alteração: 08-10-18

Resumo


Esta pesquisa insere-se na linha de pesquisa Movimentos Sociais, política e Educação Popular, do Programa de Pós-Graduação em Educação da UFMT, mais especificamente no Grupo de Pesquisa Corpo, educação e Cultura – COEDUC/UFMT. Busca-se compreender a trajetória das mulheres da etnia Bororo na educação escolar indígena, considerando toda a especificidade da organização social e cultural do povo Bororo, na qual a mulher detém uma centralidade e um papel fundamental para manutenção da Cultura Boe Bororo. A visibilidade da mulher, sempre ficou em segundo plano, e quando abordamos sobre a visibilidade, as histórias, memórias e resistências das mulheres indígenas, observamos um silenciamento, tanto em nível nacional quanto sobre as indígenas latino-americanas. Quanto retratada, por homens, antropólogos ou etnográficos, missionários, muitas vezes, traziam um recorte estereotipado das mulheres indígenas (GOMÉZ,2013). O povo bororo é um dos povos mais estudados por antropólogos, porém também as mulheres nesse processo foram pouco abordadas. Neste cenário, de invisibilidade e silenciamento  desvelar nessa pesquisa, como é ser mulher dentro uma sociedade específica e como elas se constitui enquanto protagonista de saberes e fazeres, é relevante para pensar as mulheres em contextos diferenciados. Esta etnia, localiza-se em diversos municípios no Estado de Mato Grosso, e que mantem em sua organização um vasto patrimônio material e imaterial, expresso pela linguagem, rituais, danças, músicas, pinturas corporais, que acompanham desde antes do nascimento e para além da morte.  Por entender que existem várias aldeias bororo em Mato Grosso, e as distâncias estabelecidas entre as aldeias, deteremos nesta pesquisa, a buscar analisar as professoras que estão inseridas desde 2016 no curso de Formação Contínua, isto é, o Projeto Saberes Indígenas na Escola, cujo objetivo é o de ofertar formação aos professores alfabetizadores das Aldeias. Serão colaboradoras desta pesquisa 10 professoras Bororo de três Terras Indígenas distintas. Recorremos ao Estudo de Caso, por compreender, que estaremos analisando o protagonismo das mulheres indígenas, com o olhar para uma dada etnia. O olhar interpretativo guiará os caminhos a serem percorridos para que possamos compreender a mulher bororo. Sob a noção de mulher, enfatizamos que não se trata nesta pesquisa de uma mulher genérica, mas, sobre as mulheres bororo, cuja identidade e cultura, suas formas de viver e ser foram construídas tendo como referência a cosmologia bororo.

 


Palavras-chave


Professoras, Bororo, Educação Escolar

Referências


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