Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, X Mostra da Pós-Graduação: Direitos Humanos, trabalho coletivo e redes de pesquisa na Pós Graduação

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A PRODUÇÃO DA EXISTÊNCIA DO POVO PURUBORÁ: TRABALHO, PRODUÇÃO ASSOCIADA, SABERES, LUTAS E RESISTÊNCIA
Anatália Daiane de Oliveira Ramos

Última alteração: 21-09-18

Resumo


A presente investigação vincula-se ao Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Trabalho e Educação (GEPTE) do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal de Mato Grosso. O GEPTE realiza pesquisas sobre a Produção Associada em povos e comunidades tradicionais. A Produção Associada tem uma lógica de produzir, distribuir e consumir que se distingue da lógica do capital (TIRIBA, 2007). Ela pode ser entendida em dois sentidos: a) a criação de redes de solidariedade e de colaboração para garantir a existência a partir do esforço coletivo de pessoas que compõem uma unidade de produção; e b) uma unidade básica da sociedade dos produtores livremente associados na produção (TIRIBA, 2006). Esta pesquisa tem como objetivo investigar a produção da vida material e imaterial do povo Puruborá da aldeia Aperoi em Seringueiras e os saberes resgatados, construídos e transmitidos durante essa produção. O povo Puruborá é um povo indígena do Estado de Rondônia, que foi contatado por Marechal Cândido Mariano da Silva Rondon em 1909, que, na região do rio Manoel Correia, demarcou o território Puruborá, afixando estacas de madeira no chão. Na década de 1990, esse povo teve sua identidade étnica negada pela Fundação Nacional do Índio e foi expulso do seu território tradicional. Após a expulsão, o povo Puruborá adquiriu parte de seu território tradicional e na década de 2000, com a ajuda do Conselho Indigenista Missionário, os Puruborá “ressurgiram”, iniciando um processo de luta a favor do reconhecimento de sua identidade indígena, a revitalização de sua cultura tradicional, a (re)demarcação do seu território e a concretização dos demais direitos indígenas. Atualmente, o povo Puruborá constituiu a Associação Maxajã, uma estratégia para a produção coletiva da mandioca, da farinha e de outros produtos que irão decidir coletivamente, bem como para promover a organização social do povo e fortalecer a luta pela (re)demarcação do território Puruborá. Escolhe-se o trabalho como elemento central nesta pesquisa, o qual acontece nas casas, na mata, nos pastos, nas roças, nas hortas, nas idas ao rio, nas festas, nas assembleias e em outros espaços do povo e que garante a sua produção material e imaterial. Trata-se de uma pesquisa fundamentada no materialismo histórico dialético e que se utiliza de alguns elementos da pesquisa participante. Recorre-se, como instrumentos de pesquisa, à análise documental, observação participante registrada por meio de diário de campo, de fotografias e de vídeos, entrevistas e oficinas. Realizou-se dez entrevistas com Puruborá maiores de 18 anos e duas oficinas com as pessoas da comunidade. A análise dos dados está acontecendo por meio da triangulação dos dados, articulando-os com o aporte teórico e os objetivos da pesquisa. Conclui-se que a produção material e imaterial do povo Puruborá da aldeia Aperoi em Seringueiras/RO se concretiza de maneira associada, mediante a mobilização, a retomada, o compartilhamento e a reconstrução histórica e cotidiana de uma série de saberes tradicionais, relacionados ao território tradicional, à língua Puruborá, à pintura tradicional, ao uso de plantas medicinais, às festas, à solidariedade, à comensalidade, à reciprocidade etc.

Palavras-chave


Produção da existência; Povo Puruborá; Saberes.

Referências


TIRIBA, Lia. Cultura do trabalho, produção associada e produção de saberes. Educação Unisinos, São Leopoldo, RS, v. 10, n. 2, p. 116-122, maio/abr. 2006. Disponível em: http://revistas.unisinos.br/index.php/educacao/article/view/6050. Acesso em: 5 set. 2016.

TIRIBA, Lia. Educação popular e pedagogia(s) da produção associada. Cad. Cedes, Campinas, v. 27, n. 71, p. 85-98, jan./abril. 2007. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/ccedes/v27n71/a06v2771.pdf. Acesso em: 28 fev. 2016.