Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, X Mostra da Pós-Graduação: Direitos Humanos, trabalho coletivo e redes de pesquisa na Pós Graduação

Tamanho da fonte: 
PREVALÊNCIA DE FATORES ASSOCIADOS À COMPULSÃO ALIMENTAR ENTRE ESTUDANTES UNIVERSITÁRIOS
ANNA PAULA DE MATOS, ANA PAULA MURARO

Última alteração: 03-10-18

Resumo


Introdução: Compulsão alimentar pode ser definida como ingerir grande quantidade de alimentos de uma só vez, ficando ao mesmo tempo o ato de comer fora de controle. Esse comportamento pode ter início em fases precoces da vida. Considerando que o ingresso na universidade pode ser classificado como um momento estressante, pois o estudante vivencia mudanças no estilo de vida, e pelo fato de que o comer compulsivo é um comportamento de risco para transtornos alimentares, buscou-se analisar a compulsão alimentar em universitários.

Objetivo: Analisar a prevalência e os fatores associados a compulsão alimentar entre universitários.

Métodos: Estudo transversal, com universitários ingressantes de uma universidade pública de Cuiabá-MT, pertencentes a uma coorte dinâmica intitulada "Estudo Longitudinal sobre Estilo de Vida de Estudantes Universitários” (ELESEU). Pesquisa de caráter censitário com estudantes entre 16 a 25 anos dos 21 cursos de período integral. Os dados foram coletados nos primeiros semestres dos anos de 2015, 2016 e 2017, por meio de questionário autoaplicado, contendo informações demográficas, socioeconômicas, de estilo de vida e questões sobre compulsão alimentar nos últimos três meses. Além disso, foram aferidos o peso e a estatura dos universitários para avaliação da condição de peso segundo o IMC (Kg/m²). Foi realizada análise de regressão logística hierarquizada a fim de verificar a associação dos fatores estudados à compulsão alimentar. O projeto de pesquisa foi aprovado pelo Comitê de ética em Pesquisa do Hospital Universitário Júlio Muller da UFMT (Parecer nº 1.006.048).

Resultados: Foram avaliados 1608 universitários, sendo 50,7% do sexo masculino, a maioria (77,9%) na faixa etária dos 16 aos 19 anos, mais da metade (60,3%) se autodeclararam não brancos, 48,3% pertenciam à classe econômica B. A maioria dos estudantes (70,0%) informaram morar com os pais ou parentes e 15,4% eram de cursos da área de ciências da saúde. Entre os estudantes 72,4% praticavam atividade física suficiente (mais de 150 minutos de atividade moderada/vigorosa por semana), 76,4% apresentaram comportamento sedentário (tempo de tela > 4h/dia), 13,8% eram fumantes, 59,0% consumiram álcool no último mês, 75,9% tiveram padrão de consumo de refeições irregular. A prevalência de consumo foi de 60,4% para bebidas açucaradas, 44,5% para fastfoods, 19,4% para frutas e 40,7% para legumes e verduras. Apesar de 76,0% dos universitários serem classificados sem excesso de peso, a maioria (73,9%) estava insatisfeita com a imagem corporal. Estresse percebido elevado foi observado em 46,8% dos estudantes e 35,2% apresentaram sintomas depressivos. A prevalência para compulsão alimentar foi de 4,4% e os fatores que se mantiveram associados após análise múltipla foram: sexo feminino (OR=3,76; IC95%: 2,09-6,76), consumo de bebidas alcoólicas (OR=1,74; IC95%: 1,03-2,94), satisfação com a imagem corporal (OR=3,34; IC95%: 1,17-9,48), condição de peso (OR=2,87; IC95%: 1,72-4,78), estresse percebido (OR=2,54; IC95%: 1,28-5,05) e sintomas depressivos (OR=1,94; IC95%: 1,10-3,43).

Conclusões: Mulheres, estudantes que consumiam bebidas alcoólicas, insatisfeitos com a imagem corporal, classificados com excesso de peso, estresse percebido e sintomas depressivos apresentaram maiores chances de apresentarem compulsão alimentar.


Palavras-chave


Transtorno alimentar, Adolescente, Estudantes, Universidades