Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, X Mostra da Pós-Graduação: Direitos Humanos, trabalho coletivo e redes de pesquisa na Pós Graduação

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ESTUDO DO SENTIDO PARA A EDUCAÇÃO SINESTESIAS, FRATURAS E ESCAPATÓRIAS
Tereza Ramalho de Azevedo Cunha, Luiz Augusto Passos

Última alteração: 29-09-18

Resumo


Resumo:

Nas diferentes sub-áreas que edificam o grande campo da Educação, constata-se o uso permanente do termo “Sentido”, mediante inúmeros eventos, a contar com os fenômenos sociais, culturais e de inacabamento, pois estes não cessam de produzir sentidos na passagem para os seus “futuros”. Os termos como “educações”, “saberes”, “culturas”, “desgentificação”, “descolonizados”, “sujeitos cognoscentes”, nos mostram percursos de sentido que deixam entrever as novas significações. Eis que eles são utilizados a partir de descobertas e indagações envidadas pelos movimentos sociais, laboratórios de rua e/ou no amago das academias. Escapados das quebras de cotidianos nas quais as coisas primavam por permanecerem “perfeitas” e “presas” às leis da tradição, os sentidos migraram para outros relevos epistêmicos, cujas referências linguísticas são reais e, sobretudo, veridictórias. O presente trabalho aborda o estudo do sentido, segundo as proposições de Algirdas-Julien Greimas (1917-1992), linguista , autor da semiótica discursiva, também conhecida como Semiótica do texto e dos regimes da linguagem; tal estudo se atem ao percurso gerativo do sentido e o seu vir a ser enquanto objeto de significação. São observados, nesta tarefa, os textos visuais/verbais que exemplificam ocorrências do cotidiano flagradas, tanto por vivências sinestésicas, ou em nível de “fraturas” e “escapatórias.” Constata-se uma relação sobremodo relevante entre as propostas de Greimas e aquelas assumidas por Maurice Merleau-Ponty (1908-1961), o qual autoriza a filosofia do corpo e da existência. Ambos os teóricos dão especiais atenções ao estudo da percepção, corporeidade e dos efeitos de sentidos que perpassam as narratividades. O mestre lituano diz: “É pela mediação do corpo percipiente que o mundo se transforma em sentido” (GREIMAS; FONTANILLE, J. Semiótica das Paixões, 1993). Tendo compreensões análogas à M.Pontyo, filósofo francês, afirma: “visível e móvel, o meu corpo pertence ao número das coisas, é uma delas, está preso na textura do mundo (...) o mundo é feito do mesmo estofo do corpo (MERLEAU-PONTY, OE, 1998, p. 21). Não obstante, as reflexões envidadas por ambos, o semioticista e o filósofo aportam nos investimentos linguísticos e linguageiros do educador Paulo Freire (1921-1997) em que se contextualiza a invenção de palavras prenhes de sentidos, face a leituras de mundo por ele erigidas. Ao criar um vocabulário estético, mediante a percepção de fenômeno culturais da realidade concreta, o educador pernambucano ofereceu o método de educação libertadora para sujeitos capazes de transformar a sociedade.


Palavras-chave


Estudo/sentido; Sinestesias/fraturas/escapatórias; Greimas/Merleau-Ponty/Paulo Freire

Referências


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