Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, X Mostra da Pós-Graduação: Direitos Humanos, trabalho coletivo e redes de pesquisa na Pós Graduação

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Utilização de diferentes biomassas lignocelulósicas para a indução da produção de xilanases pelo fungo Kretzschmaria sp. e sua posterior caracterização bioquímica
MARCIANA DA LUZ MORALES, Débora Reis Valladares, Mariany Caroline Jesus Fonseca, Rafael Ferreira Alfenas, Gabriela Piccolo Maitan-Alfenas

Última alteração: 03-10-18

Resumo


As xilanases são enzimas responsáveis pela hidrólise das ligações glicosídicas β-(1,4) do polímero hemicelulolítico xilana. Essas enzimas possuem várias aplicações na indústria de alimentos, sendo muito utilizadas em produtos como pães, para aprimoramento de volume e maciez; biscoitos, para maior cremosidade e textura; sucos e vinhos, para diminuição da turbidez; e cervejas, para melhorar a viscosidade final. Os fungos são largamente utilizados como fontes de xilanases, principalmente por produzirem uma grande quantidade de enzimas extracelulares. O objetivo deste trabalho foi determinar as atividades de xilanases produzidas pelo fungo Kretzschmaria sp. quando crescido em diferentes biomassas vegetais e caracterizá-las quanto ao pH e temperatura ótimos de atividade. O fungo Kretzschmaria sp. foi isolado de raízes e troncos doentes de teca (Tectona grandis) e mantido em placas de BDA (batata-dextrose-ágar). Para produção enzimática, 10 discos de ágar contendo o fungo foram transferidos para o pré-inóculo, para ativação, sob fermentação submersa. Posteriormente, o volume de pré-inóculo equivalente a 1,5 x 107 esporos/mL foi transferido para fermentação semi-sólida, utilizando diferentes resíduos agroindustriais como fontes de carbono e indutores da produção de xilanase, sendo eles: polpa kraft, farelo de trigo, sabugo de milho, palha de arroz, bagaço de cana-de-açúcar e serragem de teca. Para a determinação da atividade xilanolítica utilizou-se o método do ácido dinitro-salicílico (DNS), que quantifica açúcares redutores liberados após hidrólise. Para caracterização enzimática, utilizou-se diferentes valores de pH e temperatura, variando-os de 3,5 a 7,5 e de 30 a 80 °C, respectivamente. Todas as fontes de carbono utilizadas induziram a produção de xilanases. Os valores de temperatura e pHs ótimos de atividade encontrados foram de 50 ºC e 5,0 para a polpa kraft, 70 ºC e 7,0 para o farelo de trigo, 40 °C e 4,5 para o sabugo de milho, 50 °C e 6,5 para a palha de arroz e para o bagaço de cana-de-açúcar, e 70 ºC e 4,5 para a serragem de teca, respectivamente. As atividades de xilanases induzidas pelas diferentes fontes de carbono demonstram que a faixa de temperatura mais favorável é aquela compreendida entre 40 a 70 ° C e a de pH entre os valores 4,5 e 7,0, sendo esses valores característicos de xilanases fúngicas. Dentre todas as fontes de carbono testadas, o farelo de trigo foi a que induziu a maior atividade de xilanase. O fungo Kretzschmaria sp. foi capaz de produzir diferentes xilanases com potencial para aplicação biotecnológica na indústria de alimentos. Além disso, o estudo da utilização de biomassas vegetais para a indução da produção de enzimas é importante para incentivar o uso de resíduos agroindustriais, principalmente no estado de Mato Grosso, onde apresentam enorme diversidade e baixo custo.


Palavras-chave


Temperatura; pH; xilanases; biomassas; fungo.