Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, X Mostra da Pós-Graduação: Direitos Humanos, trabalho coletivo e redes de pesquisa na Pós Graduação

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Água como retardante do fogo em queimas controladas em cultivo de Eucalyptus urograndis no estado de Mato Grosso
Daiane Cristina de Lima, Adilson Pacheco de Souza, Josiane Fernandes Keffer, Charles Campoe Martin Martin, Luana Bouvié

Última alteração: 15-10-18

Resumo


Os incêndios florestais causam impactos ao homem e a natureza, como a perda de biodiversidade, destruição de florestas, doenças respiratórias e a redução da produtividade agrícola e florestal. Uma problemática no combate de incêndios é o uso de retardantes de chamas, devido a sua toxidade ao meio ambiente e a ausência de normativas/recomendações das concentrações eficazes para a extinção do fogo. Neste sentido, o objetivo do estudo foi avaliar o comportamento do fogo sob diferentes volumes de calda e tempos pós-aplicação de água como retardante de fogo em queimas controladas em área de Eucalyptus urograndis, na transição Cerrado-Amazônia. Para isto foram conduzidas queimas controladas a favor do vento em um cultivo de Eucalyptus urograndis (Clone H13) com idade de 6,5 anos entre as 10 e 14 horas (horário solar). O delineamento experimental foi de blocos ao acaso em parcelas subdividas no tempo, em que os tratamentos consistiram da aplicação de diferentes volumes de calda (0; 0,5, 1,0 e 2,0 L m-2) e tempos pós-aplicação da água (60, 90 e 120 minutos). As parcelas apresentaram dimensões de 25,0 x 3,0 m (comprimento x largura), subdividas em faixas de 3,0 x 3,0 m, intercaladas com e sem água (subparcelas). A subparcelas foram divididas em partes de 1 x 1 m definidas como repetições, somando 3 repetições por tratamento. No momento das queimas controladas foi avaliado o comportamento do fogo por meio da velocidade de propagação do fogo marcando o tempo de percurso do fogo em cada faixa, o comprimento das chamas estimado com uma régua em cada faixa, e a intensidade do fogo obtida pela velocidade de propagação do fogo e calor liberado do fogo. Para o delineamento estatístico realizada a análise de variância (ANOVA) do volume de calda sobre o comportamento do fogo, e do arranjo fatorial de dois níveis 3 x 3 (volume de calda de água x tempo pós-aplicação da água) sobre as variáveis do comportamento do fogo, e quando encontradas diferenças as médias foram submetidas ao teste de Tukey a 5% de probabilidade. No geral, com o aumento do volume de calda por área houve a redução da velocidade de propagação do fogo do volume de calda 0 L m-2 com 0,80 para 0,10 m min-1, comprimento das chamas de 110 para 0 cm e a intensidade do fogo de 650 kW para 0 kW m s-1, ambos após a aplicação de 2 L m-2 de água. A interação do volume de calda e o tempo pós-aplicação da água, mostrou para esta situação em relação ao material combustível de E. urograndis, que o tempo pós-aplicação não afetou a eficiência da água como retardante. O aumento no volume de calda por área de material combustível reduziu o comportamento do fogo, porém o tempo pós-aplicação da água não afetou a eficiência da água nas queimas controladas em E. urograndis.


Palavras-chave


comportamento do fogo, eucalipto, volume de calda e incêndios florestais, tempo pós-aplicação

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