Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, X Mostra da Pós-Graduação: Direitos Humanos, trabalho coletivo e redes de pesquisa na Pós Graduação

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Festas, cultura, memória e sociabilidade no Complexo do Quilombo Mata Cavalo (2016-2018)
Jackline Aparecida Silva

Última alteração: 22-11-18

Resumo


O Complexo do Quilombo Mata Cavalo é formado por seis associações quilombolas, sendo elas: Mata Cavalo de Baixo, Mutuca, Mata Cavalo de Cima, Estiva, Aguassú e Capim Verde. Localizado no município de Nossa Senhora do Livramento, à 42 km de Cuiabá, o Complexo conta, atualmente, com 418 famílias quilombolas residentes no local. Originado a partir da doação de Anna Tavares, antiga proprietária da sesmaria, realizada em 1883, e da compra de pequenas áreas de terras por parte de alguns ex-escravos, como é o caso da Associação da Mutuca, seria este o principal imbróglio jurídico que envolveria o Complexo até os dias atuais. Embora a Constituição do Brasil de 1988, no Art. 68, do Ato das Disposições Constitucionais e Transitórias (ADCT), garantisse aos remanescentes de quilombo o direito à titulação de suas terras, ainda hoje, trinta anos após a promulgação da Constituição de 1988, estes não receberam o título definitivo do quilombo, e continuam a viver tempos de muita violência. O que nos interessa nessa comunicação de pesquisa, portanto, é analisar esse contexto de violência a que os descendentes de escravos são submetidos, e como sobrevivem diante desse cenário de constantes disputas pela terra. Mediante esse quadro de instabilidade é que emerge um múltiplo calendário festivo bastante “intenso”, distribuído pelas suas associações e majoritariamente religioso e católico, embora esse catolicismo seja moldado segundo as próprias regras do quilombo que fazem suas apropriações dos santos católicos, conforme a cultura quilombola.   Essas festividades são mais que momentos de diversão, dizem muito sobre a cultura e as formas de sociabilidade que ajudam o Complexo a definir-se como grupo, a construir fronteiras identitárias e limites que os diferenciam de outros grupos não-quilombolas. Também existem dentro do quilombo as festas voltadas para apresentar o Complexo para os “de fora”, como a festa da Banana e a Feira de Artes que acontecem anualmente no território quilombola e que visam reforçar a representação do local para quem é de fora de Mata Cavalo. Entre tantas comemorações há ainda algumas festividades que resistem ao preconceito e ao racismo latente dos dias atuais, celebrando algumas de suas festas com rituais de umbanda e também preservando a comemoração do dia da consciência negra. Assim, diante desse circuito de festas que definem fronteiras, estabelecem representações do quilombo e se firmam como forma de resistência é que o Complexo do Quilombo Mata Cavalo, embora conviva com inúmeras diferenças internas, se constitui como grupo quilombola em prol de um objetivo comum que é a sobrevivência de sua cultura, identidade, memória e principalmente a tão sonhada posse de suas terras. Diante desse contexto é que analisaremos as festas acontecidas no quilombo no período de 20016 à 2018.

Palavras-chave:  Festas, Cultura, Memória.


Palavras-chave


Festas, Cultura, Memória.

Referências


ÁGUAS, Carla Ladeira Pimentel. Mata Cavalo e o pensamento abissal. Revista Vivência. Natal nº 38. 2011.

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BARCELOS, Silvânio Paulo de. Comunidade Negra Rural da Mutuca: Conflito de memórias e a disputa pela “terra dos ancestrais” – 1883/2015. Tese (Doutorado) – Programa de Pós-Graduação em História, Universidade Federal de Mato Grosso, Cuiabá, 2017.

OZOUF, Mona. A Festa: sob a Revolução Francesa. In: LE GOFF, Jacques; NORA, Pierre (Orgs.). História: novos objetos. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1976.