Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, X Mostra da Pós-Graduação: Direitos Humanos, trabalho coletivo e redes de pesquisa na Pós Graduação

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UM GENERAL DO MATO VIVENDO À SERTANISTA: A TRAJETÓRIA DE D. ANTÓNIO ROLIM DE MOURA NA CAPITANIA DE MATO GROSSO
Débora Cristina dos Santos Ferreira

Última alteração: 22-11-18

Resumo


D. António Rolim de Moura nascera em 12 de março de 1709, filho do IV Conde de Val de Reis, D. Nuno de Mendonça senhor de Póvoa e de Meadas, Comendador e Alcaide-Mor das Comendas e Alcaidarias, e de D. Leonor de Noronha, filha do Marquês de Angeja. De família pertencente a “primeira nobreza portuguesa”, D. António Rolim de Moura, sendo o filho sexto, não assumiria o título nobiliárquico de seu pai, mas sim de seu parente distante D. João Rolim de Moura que, sem herdeiros, abdicara da Casa de Azambuja em seu favor. Ingressara na carreira militar aos 17 anos, como soldado no Regimento de Cavalaria de Alcântara, passara ao Regimento do Conde de Coculim, onde em 1735, com 26 anos, alcançou o posto de capitão de Infantaria. Fora vedor da Casa da Rainha D. Marianna de Áustria. Fizera parte de redes de poder que o possibilitaram ascender na hierarquia dos serviços de Sua Majestade. Em 1748, D. António Rolim de Moura recebera a mercê de governar a Capitania de Mato Grosso, suas Instruções estabeleciam que deveria fundar uma vila no Vale do Guaporé e guardar os domínios portugueses da ameaça castelhana, povoando e consolidando a fronteira que estava em processo de demarcação do Tratado de Madri. Para assumir seu cargo na capitania empreendera uma longa viagem pelos sertões do Estado do Brasil. Escolhera o local para fundar a vila-capital e em março de 1752, ao lado dos principais da terra levantara o pelouro de Vila Bela da Santíssima Trindade, assentada no extremo oeste do Império Português. Durante o seu governo, Rolim de Moura enfrentara as intempéries do clima, as doenças, as longínquas distâncias, os gentios e a ameaça castelhana. Defrontara-se com os homens bons da terra, outros poderes régios que há muito estavam instituídos, utilizando-se de seu poder como governador para garantir sua jurisdição. Auxiliara nas demarcações do Tratado de Madri, desenhando mapas e conhecer as terras, tornara-se em 1758, Plenipotenciário das Demarcações do Norte, cargo de grande valia, que lhe possibilitaria delimitar as fronteiras. D. António, também combatera os castelhanos na guerra de 1763 nas margens do Guaporé. Estabelecera redes entre altos cargos da política imperial e da capitania, alcançou posição de destaque, saindo da Capitania de Mato Grosso com mercês e cargos relevantes. Nossa tese busca desvendar os meandros político-administrativos de sua governação, através de suas missivas enviadas a diferentes destinatários, analisando as estratégias narrativas que nossa personagem construíra para demonstrar seus préstimos nos serviços d’El Rey, através de uma escrita pendular que ora reforça sua pouca capacidade para serviço tão importante, ora demonstrando seu extenso conhecimento. Ao longo dos treze anos que estivera no governo da Capitania de Mato Grosso, num governo de intervalos, onde suas cartas demoravam até anos para serem respondidas, empregava sua autonomia para tomar suas decisões e esperava que fossem aprovadas por seus superiores. Traçamos, pois, sua trajetória um nobre segundogênito que ao serviço de Sua Majestade saíra da corte, para ser governador da Capitania de Mato Grosso.

Palavras-chave


D. António Rolim de Moura; Capitania de Mato Grosso; Trajetória