Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, X Mostra da Pós-Graduação: Direitos Humanos, trabalho coletivo e redes de pesquisa na Pós Graduação

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O nível de estresse percebido está associado à má qualidade do sono entre estudantes universitários.
Juliana Nunes Ramos, Paulo Rogério Melo Rodrigues

Última alteração: 03-10-18

Resumo


Alterações nos hábitos do sono são prejudicais aos estudantes universitários por estarem associadas a diversos efeitos negativos na vida acadêmica, como: falhas nos processos de atenção, erros de memória, irritabilidade, comprometimento do humor, alteração e modificação das funções cognitivas, desempenho acadêmico insatisfatório e por vezes, o abandono do curso. A entrada na universidade pode levar a eventos estressantes como aumento da exigência acadêmica, formação de novas relações interpessoais e separação gradual do ambiente familiar próximo. Nesse sentido, elevados níveis de estresse têm sido frequentemente associados à má qualidade do sono. Do ponto de vista fisiológico, o sono e o estresse estão intimamente ligados ao eixo hipotálamo-hipófise-adrenal, o que pode explicar a estreita relação entre esses dois fatores. O objetivo do presente estudo foi de estimar a prevalência de má qualidade do sono e analisar sua associação com o estresse percebido em estudantes universitários. Trata-se de estudo transversal, de caráter censitário realizado com 1113 estudantes de 21 cursos de período integral da Universidade Federal de Mato Grosso, campus Cuiabá, ingressantes nos anos de 2016 e 2017, com idades entre 16 e 25 anos. A qualidade do sono foi obtida por meio do Índice de Qualidade de Sono de Pittsburgh, e o estresse percebido por meio da Escala do Estresse Percebido, ambos instrumentos validados para utilização na população brasileira. As covariáveis foram: sexo (masculino/feminino), faixa etária (até 19 anos e 20 a 25 anos), classe econômica (utilizando os critérios da Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa) e área do curso (Ciências Agrárias, Ciências Biológicas e da Saúde, Ciências Sociais e Humanas, Ciências Exatas e da Terra e Engenharias). Utilizou-se o teste do qui-quadrado para avaliar as diferenças entre as proporções das variáveis de interesse. Para estimar a associação foram utilizados modelos de regressão logística múltipla, obtendo a Odds Ratio bruta (ORb) e ajustada (ORaj), considerando os Intervalos de Confiança de 95%. As covariáveis que apresentaram p-valor ≤ 0,20 na análise bivariada foram selecionadas para ajustes nos modelos finais. O projeto de pesquisa foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Hospital Universitário Júlio Muller da UFMT. Foram avaliados 1113 universitários, sendo 50,7% do sexo feminino, com 77,5% na faixa etária de 16 a 19 anos e 48,1% pertencentes à classe econômica “B”. A prevalência de má qualidade do sono foi de 65,5%, com diferença significativa entre os sexos (p<0,01) e 17,6% dos estudantes apresentaram nível normal de estresse, 32,8% moderado e 49,6% elevado. Foi observado aumento gradual na má qualidade do sono de acordo com o nível de estresse percebido (normal= 39,5, moderado= 58,4 e elevado= 79,1%; valor de p da tendência linear <0,01). Nos modelos ajustados, para má qualidade do sono houve associação significativa com estresse percebido moderado (ORaj= 2,03; IC95%= 1,41; 2,90) e elevado (ORaj= 5,04; IC95%= 3,49; 7,27). Observou-se elevada prevalência de má qualidade do sono entre os estudantes universitários e aqueles que apresentaram níveis moderado e elevado de estresse percebido apresentaram maiores chances de ter o desfecho avaliado.

Palavras-chave


Qualidade do sono, estresse percebido; estudantes universitários.

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