Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, X Mostra da Pós-Graduação: Direitos Humanos, trabalho coletivo e redes de pesquisa na Pós Graduação

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A infância e o brincar no processo de colonização de Sinop- MT: vestígios de uma investigação histórico-poética
Josiane Brolo Rohden, Luiz Augusto Passos

Última alteração: 27-09-18

Resumo


Este trabalho apresenta a partir de uma discussão histórico-poética a presença da criança e seus modos de brincar, inventar e criar brinquedos no processo de colonização da cidade de Sinop, Mato Grosso, durante a década de 1970, com ênfase no processo educativo que acontecia nos espaços não institucionalizados como também na escola.

A pesquisa se insere no campo da Nova História Cultural permeada pelo olhar da fenomenologia, tendo como principais teóricos Michel de Certeau e Merleau-Ponty. Além disso, a  literatura do poeta Manoel de Barros perpassa toda proposta de trabalho, possibilitando um entrelace entre diferentes campos do conhecimento, promovendo um diálogo entre a ciência e a arte, que se juntam para dizer de "memórias crianceiras e seus despropósitos”.

Para tal, foram realizadas entrevistas com sujeitos migrantes, que vivenciaram suas infâncias em Sinop no processo de constituição da cidade. Também, como fonte de estudos e análises foram utilizadas fotografias da infância dos próprios sujeitos pesquisados e de acervos públicos visitados, além de outras fontes históricas como cadernos, livros, depoimentos em vídeos públicos e todos os vestígios históricos que deparou -se no processo de investigação.

A pesquisa aponta para uma história da infância de criação, invenção e reinvenção dos modos de brincar, uma vez que as brincadeiras estavam intimamente relacionadas com a natureza e era dela que as crianças da época conseguiam a matéria-prima para criar e inventar brinquedos. Deste modo, a cultura infantil se manifestava num fazer criança-natureza, ou seja, diferente de um pensamento ocidental que separam corpos e natureza, nessa pesquisa  tendo a fenomenologia como modo de interpretação, criança-natureza se fazem unidas, em conexão, interligadas e inseparáveis. E, tal relação criança-natureza naquele contexto histórico se fazia relação de encontro, de reciprocidade, de amor, de aprendizagens, elementos do brincar e consequentemente, território de aprendizagens.

Assim, no processo investigatório, destaca-se as crianças como coautoras da história, produtoras de culturas infantis naqueles espaços e tempos analisados. E aqui, enfatiza-se que “as culturas da infância transportam as marcas dos tempos, exprimem a sociedade nas suas contradições, nos seus estratos e na sua complexidade” (SARMENTO, 2003, p.4).

Para tanto, compreende-se como peculiar a cultura infantil, percebendo que as crianças se configuram de acordo com cada tempo e espaço, e, são tecidas dentro de cada sociedade, de modo singular. Contudo, a cultura infantil em análise neste estudo, destaca que mesmo diante da ordem, da disciplina da época, da imposição de valores e normas, vindas ora da escola, ora da família, ora da igreja, havia movimentos que desconfiguravam a ordem dominante, entendida por Certeau como as táticas que moviam os sujeitos nas suas artes de fazer, imprecisas, sem localização exata, surgidas das contingências da situação, de modo a aproveitar as lacunas do lugar da ordem, fruto da “[...] inteligibilidade criada no aqui e agora, exigindo inteligência viva, parecendo desprezar modelos preestabelecidos, estando constantemente apreendendo a situação e agindo sobre ela improvisando saídas" (AZEVEDO; ARAÚJO, 2011, p. 481).

Contudo, intenta-se nessa pesquisa, conceber a história como um tempo invertido como ensina Certeau (1982), e que sobretudo, reafirme a vida e traduza nos seus limites a experiência vivida.


Palavras-chave


História da Infância; Brincar; Educação; Sinop-MT; Colonização