Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, X Mostra da Pós-Graduação: Direitos Humanos, trabalho coletivo e redes de pesquisa na Pós Graduação

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Leishmaniose visceral em uma área endêmica brasileira: um panorama da ocorrência, co-infecção pelo HIV e letalidade
João Gabriel Guimarães Luz, Amanda Gabriela Carvalho, Danilo Bueno Naves, João Victor Leite Dias, Cor Jesus Fernandes Fontes

Última alteração: 05-10-18

Resumo


A leishmaniose visceral (LV) humana é uma zoonose emergente que possui grande impacto no âmbito da saúde pública brasileira, principalmente em virtude da recente expansão das suas áreas de ocorrência, alto custo requerido para o controle e elevada letalidade associada. Nesse sentido, o diagnóstico tardio, toxicidade das drogas, manejo inadequado de pacientes e co-infecção pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV) são frequentemente relacionados à desfecho letal em LV. Na última década, o município mato-grossense de Rondonópolis emergiu como uma importante área endêmica para a doença. Apesar de tal relevância, poucos estudos avaliam sua ocorrência na localidade. Desse modo, o objetivo desse estudo foi descrever os aspectos epidemiológicos e clínicos relacionados à ocorrência, co-infecção pelo HIV e letalidade por LV no município de Rondonópolis entre 2011 e 2016. Trata-se de um estudo transversal retrospectivo. Os dados foram coletados pela análise individual das fichas de notificação/investigação do Sistema de Informação de Agravos de Notificação dos casos autóctones de LV registrados entre 2011 e 2016. Recidivas ou casos notificados em duplicata foram excluídos. Para a caracterização clínico-epidemiológica, os pacientes foram divididos em três grupos: casos totais (todos os casos autóctones de LV), casos de co-infecção (todos os casos autóctones de co-infecção LV/HIV) e casos de óbito (todos os óbitos devido à LV). Durante o período avaliado, foram notificados 117 casos de LV em Rondonópolis, dos quais 81 eram novos e autóctones. A maior incidência foi observada em 2011 (12,1/100.000 hab.), seguido de 2012 (7,9/100.000 hab.) e acentuado declínio até 2016 (4,6/100.000 hab.). Em contraste, a taxa de letalidade global foi de 8,6% com amplas variações anuais, sendo o pico de 20% em 2016. A co-infecção LV/HIV foi observada em 9,9% dos indivíduos. A LV prevaleceu entre homens (56,8%), pardos (49,4%), residentes da zona urbana (92,6%) e na faixa etária de 0-4 anos (33,3%). O grupo ocupacional mais acometido foi o de donas de casa ou aposentados (29,6%). Já a mediana de idade dos pacientes foi mais baixa entre os casos totais de LV (31,1 anos) do que entre os casos de co-infecção (39,8 anos) e óbito (55,9 anos). Clinicamente, febre, fraqueza e esplenomegalia foram as manifestações mais frequentes entre todos os casos de LV e os pacientes co-infectados. Já quadros de infecção bacteriana (p=0,001) e sangramento (p<0,001) estiveram associados à óbito por LV. O antimonial pentavalente e a anfotericina B lipossomal foram as drogas mais frequentemente empregadas para o tratamento dos casos totais de LV (71,6%) e entre os indivíduos que evoluíram para óbito (71,4%), respectivamente. Os pacientes co-infectados foram igualmente tratados com ambas as drogas. Os dados do presente estudo podem ser úteis para nortear estratégias públicas direcionadas para identificação, manejo e controle da LV no município de Rondonópolis. Além disso, apontam para a necessidade de novas investigações na área.

 


Palavras-chave


Leishmaniose visceral; Epidemiologia; Letalidade; HIV; Co-infecção