Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, X Mostra da Pós-Graduação: Direitos Humanos, trabalho coletivo e redes de pesquisa na Pós Graduação

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FREQUÊNCIA DE INFECÇÃO VERTICAL E FILOGENIA DE ARBOVÍRUS EM CULICÍDEOS COLETADOS EM QUATRO MUNICÍPIOS DE MATO GROSSO
Raquel da Silva Ferreira

Última alteração: 05-10-18

Resumo


Os arbovírus (arthropod-borne vírus) são transmitidos por artrópodes hematófagos, particularmente mosquitos dos gêneros Culex e Aedes em ambiente urbano, embora existam arbovírus transmitidos por outros artrópodes, como flebotomíneos e carrapatos. As arboviroses são responsáveis por importante morbidade e mortalidade em humanos, sendo uma ameaça tanto para países desenvolvidos quanto em desenvolvimento, constituindo um importante problema de saúde pública. A transmissão vertical (progenitora infectada gera prole infectada) é extremamente importante para manutenção do vírus em períodos interepidêmicos, fazendo-se necessário o desenvolvimento de estudos para investigação desse mecanismo e seu impacto na natureza. O ecossistema presente no estado de Mato Grosso, aliado ao clima tropical e à proximidade dos centros urbanos a grandes áreas silvestres constitui um ambiente ideal para a circulação e manutenção do ciclo epidemiológico de diversos arbovírus. Dentre esses, destacam-se os pertencentes às famílias Flaviviridae (gênero Flavivirus), Togaviridae (gênero Alphavirus) e Peribunyaviridae (gênero Orthobunyavirus). Diante o exposto, este estudo objetiva verificar a frequência de transmissão vertical natural em culicídeos coletados mensalmente no ano epidêmico de 2017, em quatro municípios de Mato Grosso: Cáceres, Cuiabá, Rondonópolis e Sinop escolhidos a partir de características ecológicas diferenciadas, maior população e número elevado de notificações por arboviroses. Foram coletados 19.110 mosquitos, 16.578 da espécie Culex quinquefasciatus, 9.216 machos (167 pools), e 2483 espécimes de Aedes aegypti, 1.131 machos (70 pools), além de 1 macho Psorophora albigenu, e 3 machos Culex spp. Os pools foram alocados conforme espécie, data e local de coleta, totalizando 241 submetidos a extração de RNA viral e analisados por protocolos de RT-PCR semi-nested para os vírus: Dengue 1 a 4 (DENV-1 a 4), Zika (ZIKV), Chikungunya (CHIKV), Febre amarela (YFV), Saint Louis (SLEV), Ilhéus (ILHV), Rocio (ROCV), Vírus do Oeste do Nilo (WNV), Mayaro (MAYV), Encefalite equina do oeste (WEEV), Encefalite equina venezuelana (VEEV), Encefalite equina do leste (EEEV) e Oropouche (OROV). Até o momento foram analisados 92 pools, dentre esses, cinco foram positivos para CHIKV, um para ILHV e 02 para DENV-4. Estratégias de manutenção de arbovírus em vetores entre períodos epidêmicos são importantes para o inicio de novos surtos. Conhecer as taxas naturais de infecção transovariana pode permitir estimar quais agentes representam risco de dispersão na população durante epidemias de arboviroses.

Palavras-chave


arbovírus, culicídeos, infecção vertical

Referências


 

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