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Os empréstimos linguísticos de origem francesa na Libras: um olhar bakhtiniano e ecolinguístico
Marta Maria Covezzi

Última alteração: 17-10-18

Resumo


Os empréstimos linguísticos na Libras – Língua Brasileira de Sinais, principalmente os recebidos da Língua Portuguesa, têm sido investigados muito frequentemente, na busca de conhecimentos sobre sua constituição. Neste estudo, investigamos os empréstimos advindos da Língua Francesa Oralizada – LFO ou da Língua de Sinais Francesa – LSF, em vista de a Libras ter sua origem muito entrelaçada a estes dois idiomas.  Fundamentamos nossa investigação em teorias que têm uma concepção holística de linguagem: os Estudos Bakhtinianos e a Ecolinguística. Para Bakhtin, a linguagem é o elemento que estabelece a relação entre os seres humanos e propicia a experiência da interação entre interlocutores. O dialogismo – relações de sentido entre enunciados - é a característica essencial da linguagem, sendo o enunciado concreto a unidade real da comunicação discursiva, que tem uma relação indissociável com a vida e é orientado pela situação social em que surge e pela interação entre interlocutores concretos. A própria vida humana tem essa natureza dialógica, que se dá entre objetos, entre homem e objeto e entre sujeitos.  Couto (2016) conceitua a Ecolinguística como o estudo das interações verbais que se dão nos ecossistemas linguísticos; fundamenta-se nos princípios da Ecologia, associando-os aos de estudos da linguagem, considerando o processo comunicativo de forma bastante similar à da análise dialógica de discurso bakhtiniana. Por este viés, o ecossistema da língua constitui-se pelo meio ambiente social (o povo, organizado socialmente), pelo meio ambiente mental (a mente de cada membro do povo) e pelo meio ambiente natural (o território onde o povo convive) e o discurso se dá a partir de suas interrelações entre si e com o todo. No âmbito desta pesquisa, consideramos o diálogo entre línguas como base para entendermos os caminhos dos empréstimos linguísticos, e temos no contato de línguas, conceito ecolinguístico, um referencial complementar imprescindível para contribuir com nosso intento de compreensão desses fenômenos da linguagem. O contato de línguas se dá pelo deslocamento dos povos e de suas línguas, ou seja, no encontro e diálogo entre povos e suas respectivas línguas. E é como se deu o contato da língua de sinais em uso na França e da LFO com a Libras. A língua de sinais existente na França à época passou a ser ensinada institucionalmente no Collégio Nacional para Surdos-Mudos, atual INES (RJ), fundado em 1857, quando ainda não havia no país escolas para este fim, pelo professor visual francês E. Huet, juntamente com os sinais já utilizados pela comunidade visual brasileira. Desse encontro, desse diálogo de línguas, surgiriam as primeiras formas do que viria a se tornar a língua de sinais brasileira.  Os tipos de contato de línguas atrelados à teoria bakhtiniana nos dão indícios de um provável caminho dos sinais de herança francesa, trazendo uma contribuição para a compreensão da constituição da Libras. Esta pesquisa em nível doutoral insere-se no escopo dos estudos do Grupo Relendo Bakhtin - REBAK, vinculado ao Programa de Pós-graduação em Estudos de Linguagem, UFMT.

 

Palavras-chave: Empréstimos linguísticos; Libras/LSF/LFO; Estudos Bakhtinianos/Ecolinguística.


Palavras-chave


Empréstimos linguísticos; Bakhtin; Ecolinguística; Libras