Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, X Mostra da Pós-Graduação: Direitos Humanos, trabalho coletivo e redes de pesquisa na Pós Graduação

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Efeitos do uso da terra na biodiversidade de culicídeos e potencial emergência de arbovírus na Amazônia Meridional
Carla Julia da Silva Pessoa Vieira, David José Ferreira da Silva, Janaina Rigotti Kubiszeski, Eriana Serpa Barreto, Sirlei Franck Thies, Christine Steiner São Bernardo, Roberta Vieira de Morais Bronzoni

Última alteração: 04-10-18

Resumo


A Floresta Amazônica é considerada o maior reservatório de culicídeos e arbovírus do mundo. Estes arbovírus são mantidos em um ciclo envolvendo hospedeiros vertebrados e artrópodes hematófagos, principalmente os pertencentes à família Culicidae. A Amazônia está sob intensa antropização, especialmente no chamado “Arco do Desmatamento”, localizados nas regiões Leste e Sul. A emergência e transmissão de doenças infecciosas vem aumentando devido às mudanças no uso da terra. Esta pesquisa teve a finalidade de verificar a associação do uso da terra com biodiversidade de mosquitos, presença de arbovírus e risco de emergência de arbovírus na Amazônia Meridional. Culicídeos foram coletados em 39 remanescentes florestais, com diferentes graus de perturbação, localizados na região Centro Norte Mato-Grossense, Amazônia Meridional, entre junho/2015 e junho/2016. As coletas foram realizadas utilizando armadilhas luminosas do tipo CDC com CO2, acionadas por 72 horas consecutivas. Modelos Lineares Generalizados e Modelos de Regressão Logística foram utilizados para associar o grau de perturbação da paisagem à riqueza e abundância de culicídeos. Foram capturados 1960 culicídeos pertencentes a 50 espécies, incluindo 19 espécies associadas à transmissão de arbovírus, dentre elas, as espécies Coquillettidia venezuelensis, Culex complexo Coronator e Ochlerotatus complexo Serratus, que são vetores de arbovírus circulantes no Brasil e na região, como os vírus da Encefalite de São Luiz, da Febre Amarela e do Mayaro. Destas, Cx. complexo Coronator e Oc. complexo Serratus foram associadas a ambientes de paisagens altamente preservadas e/ou altamente perturbadas. Ambas espécies já haviam sido relatadas no ambiente antrópico, e parecem ter grande plasticidade comportamental. É possível que esses mosquitos estejam se adaptando a ambientes antropizados e, como consequência, favoreçam a emergência e disseminação de arbovírus. Os resultados mostraram a associação do uso da terra com o aumento da riqueza e abundância de vetores de arbovírus e a potencial emergência de arbovírus na Amazônia Meridional.


Palavras-chave


Perturbação de paisagem; Mosquitos vetores; Emergência de arbovírus

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