Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, X Mostra da Pós-Graduação: Direitos Humanos, trabalho coletivo e redes de pesquisa na Pós Graduação

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A passagem da fraternitas para a Ordo: os frades minoritas como uma comunidade emocional (1220-1240)
Douglas Almeida Martins

Última alteração: 22-11-18

Resumo


A literatura temática a respeito da vida e da obra de Francisco de Assis e do nascimento, expansão e institucionalização da Ordem dos Frades Menores são amplas e profundas. Reúne autores que versam a respeito dos mais variados aspectos (políticos, econômicos, sociais, espirituais) da trajetória do santo de Assis e da ordem por ele fundada. Uma, no entanto, é pouco explorada e é tão importante a dimensão das sensibilidades e os modos de vivenciar as emoções nas sociedades humanas pretéritas. É precisamente os aspectos que dizem respeito às formas de exprimir e de sentir os aspectos emocionais que não são explorados pelos historiadores. Nossa tese, portanto, visa analisar a Ordem dos Frades Menores a partir dos postulados teóricos da história social das emoções. Não se trata de fazer tabula rasa e nem tão pouco relativizar os processos históricos analisados pelos historiadores no que tange as experiências de institucionalização e expansão da Ordem. O que propomos é explorar um complexo quebra-cabeça por outro ângulo pouco explorado, revisitando os anos que antecedem a morte de Francisco e nos anos que seguintes – marcadamente a década de 1220 – até a década de 1240, para buscar outras possibilidades históricas para compreender a formação, a constituição e o desenvolvimento da Ordem no cenário urbano das cidades de Assis, Porciúncula e Perugia. Nossa tese tem por objetivo problematizar – por meio da leitura e análise de um corpus documental composto por hagiografias (vidas de santo) redigidas por frades ligados a Ordem e documentos institucionalizados – a Ordem dos Frades Menores enquanto uma comunidade emocional, para compreender as intrincadas relações de poder protagonizados pelos frades. Através da leitura crítica da narrativa hagiográfica dando especial ênfase para os conflitos e as suas resoluções no contexto de expansão e dinamização do apostolado minorita, no coração da Península Itálica do século XIII, formulamos a hipótese de que haveria certos padrões emocionais consolidados na documentação franciscana e tais padrões teriam se configurado como um mecanismo, interno ao próprio movimento e recorrente, de resolução de conflitos sociais entre os frades minoritas e com isso, acreditamos que os franciscanos teriam se organizado, institucionalmente, como uma comunidade de emoções.


Palavras-chave


Emoção; Hagiografia; Poder