Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, X Mostra da Pós-Graduação: Direitos Humanos, trabalho coletivo e redes de pesquisa na Pós Graduação

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Estresse percebido segundo características acadêmicas de alunos ingressantes na universidade.
Bruna Klein Guimarães de Souza, Márcia Gonçalves Ferreira

Última alteração: 05-10-18

Resumo


O termo stress tem sua origem latina, foi utilizado pela primeira vez no século XVII para descrever o complexo fenômeno composto de tensão-angústia-desconforto. Pensando no estado psicológico dos alunos ingressantes na universidade, o estresse emocional mostra-se como variável relevante, já que pode contribuir para prejuízos na saúde mental e qualidade de vida. O período da formação universitária se caracteriza por um momento de vulnerabilidade ao estresse, quando acontecem modificações em vários aspectos importantes da vida, tais como cobranças pessoais para metas de carreira, adaptação ao sistema de ensino proposto pelas universidades, novos padrões de relacionamento, distanciamento e/ou problemas nas relações familiares, além das responsabilidades adquiridas neste período de construção da autonomia deste adolescente. Este período é de grande vulnerabilidade para a população universitária por trazer mudanças extensas no estilo de vida. O objetivo do estudo foi analisar a associação entre características acadêmicas e o estresse percebido. Estudo transversal, com universitários de 16 a 25 anos de idade, ingressantes nos cursos de graduação de período integral na Universidade Federal de Mato Grosso, campus Cuiabá, nos anos de 2015, 2016 e 2017. Os dados foram coletados por meio de questionário estruturado autoaplicado. O estresse percebido foi medido pelo instrumento Perceived Stress Scale (PSS10), validado para população brasileira e classificado em “sem estresse”, “leve” e “moderado e elevado”. As características acadêmicas avaliadas foram a área do curso, com quem mora e classe econômica. A área do curso foi avaliada segundo classificação da CAPES. A variável com quem mora foi agrupada em “sozinho”, “casa dos pais ou parentes” e “republica ou outros”. A classe econômica seguiu critérios da Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa. A idade foi categorizada em 16 a 19 anos (adolescentes) e 20 a 25 anos (adultos). O teste do qui-quadrado foi utilizado para analisar a associação entre as variáveis de interesse.  Este estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Hospital Universitário Júlio Müller, parecer nº 1.006.048. Foram avaliados 1608 estudantes, sendo 50,7 % do sexo masculino e 77,9% adolescentes. A prevalência global de estresse percebido foi de 92,1%, sendo maior no sexo feminino (96,9% versus 87,2%, p<0,001), sem diferença significativa para faixa etária (p=0,783). A prevalência do estresse percebido “leve” foi de 45,3%, “moderado e elevado” de 46,8% e o “sem estresse” 7,9%. A área do curso apresentou associação com o estresse percebido (p=0,001), com maior prevalência de estresse “moderado e elevado” entre estudantes da área de “Ciências Sociais e Aplicadas” (58%), seguidos daquelas das áreas de “Ciências Biológicas e da Saúde” (53%).  Não houve diferença significativa na associação do estresse com a variável com quem mora (p=0,193). A classe econômica “C, D e E” apresentou maior prevalência de estresse “moderado e elevado” (52,1%) em relação à classe A (47,6%).  Conclui-se que o estresse percebido associou-se com características acadêmicas, havendo maior prevalência global entre as mulheres e maior prevalência de estresse moderado/elevado entre estudantes das áreas de Ciências Sociais e Aplicadas e Ciências Biológicas e da Saúde, bem como entre estudantes das classes econômicas mais baixas.