Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, X Mostra da Pós-Graduação: Direitos Humanos, trabalho coletivo e redes de pesquisa na Pós Graduação

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CASOS DE HANSENÍASE NA POPULAÇÃO ENCARCERADA NO MATO-GROSSO
Stephanni Figueiredo da Silva

Última alteração: 05-10-18

Resumo


A Hanseníase é uma doença infectocontagiosa incapacitante causada pelo Mycobacterium Leprae, que está diretamente relacionada com condições precárias de vida, situação essa encontrada no sistema prisional brasileiro. Este fato, torna a população encarcerada altamente vulnerável. Dentre os fatores que favorecem a disseminação do patógeno entre os detentos estão as condições insalubres, celas superlotadas e úmidas. Sua transmissão se dá através da secreção das vias aéreas de pacientes bacilíferos e está relacionada com o convívio prolongado. Este trabalho é um estudo descritivo e transversal de dados coletados em mutirão para detecção de hanseníase no Centro de Ressocialização de Cuiabá, MT, penitenciária masculina do Carumbé, em fevereiro de 2018. Foi realizada palestra educativa sobre sinais e sintomas de hanseníase para eleitos como promotores de saúde. Foram atendidos 100 pacientes dos 2.400 detentos institucionalizados em consultas de anamnese e exame dermato-neurológico simplificado. Destes, 11 pacientes apresentaram alterações térmica, dolorosa ou tátil e/ou espessamento neurais com ou sem neurite. Após consentimento livre e esclarecido, tiveram suas biópsias coletadas. O material foi fixado (paraformaldeído a 4%) e corado em hematoxilina e eosina para análise histopatológica, e Fite-Faraco para análise de BAAR. O grupo consistia em indivíduos com média de 34 anos de idade, 91% eram negros, 100% continham alteração de sensibilidade e lesões (em média 4) tipo pápulas hipocrômicas por todo o corpo, a maioria localizadas na região posterior, com espessamento de 3-8 nervos periféricos. Os resultados da análise histológica indicaram presença de infiltrado celular e granuloma em todas as lesões, porém, apenas 80% dos pacientes apresentavam positividade para M. leprae. Foi constatado a classificação operacional multibacilar em todos os casos, 20% reacionais. Em retorno ao presídio, o tratamento poliquimioterápico multibacilar foi instituído aos pacientes diagnosticados. Deste modo, podemos indicar que os detentos transmitem a hanseniase não só dentro do sistema prisional, mas também para a população externa, através das visitas conjugais e do livramento dos presos multibacilares sem tratamento. Portanto, é importante reforçar implementações de programas terapêuticos, medidas preventivas e educativas específicas dentro do sistema prisional.

Palavras-chave


Hanseníase, sistema penitenciário, diagnóstico

Referências


1- ANDRADE, M; BOMFIM, F S. CONSIDERAÇÕES SOBRE HANSENIASE E RELAÇOES HANSENICAS. V.4, n.1.p.13-15, 2008.

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