Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, X Mostra da Pós-Graduação: Direitos Humanos, trabalho coletivo e redes de pesquisa na Pós Graduação

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Omissão de refeições em universitários
Morgana Egle Alves Neves, Paulo Rogério Melo Rodrigues

Última alteração: 03-10-18

Resumo


Ao ingressar na universidade, o estudante está sujeito a inúmeras alterações psicológicas, sociais e econômicas, que muitas vezes, alteram o comportamento alimentar. O estilo de vida e as situações peculiares do meio acadêmico podem levar a omissão de refeições e busca por preparações rápidas, normalmente com baixo valor nutricional.O consumo irregular e a omissão das refeições, principalmente do desjejum, tem sido consistentemente associados ao aumento da adiposidade corporal, a alterações metabólicas e a fatores de risco cardiovascular em longo prazo. O objetivo desse estudo foi avaliar os hábitos de consumo de refeições em estudantes universitários. Trata-se de um estudo transversal, com universitários de 16 a 25 anos de idade, que ingressaram nos cursos de graduação de período integral na Universidade Federal de Mato Grosso, campus Cuiabá, em 2015 e 2016. Os dados foram coletados por questionário autoaplicado, contendo questões sobre características sociodemográficas e de consumo alimentar. A frequência de consumo do desjejum, colação, almoço, lanche da tarde, jantar e ceia, foi obtida pela pergunta “Em média, com que frequência você faz as seguintes refeições?”,  tendo como respostas para cada refeição “diariamente”, “5 a 6 a vezes na semana", “3 a 4 vezes na semana”, “1 a 2 vezes na semana”, “nunca ou quase nunca”. Para as análises, as respostas foram agrupadas em Regular (“diariamente” e “5 a 6 vezes na semana”), Irregular (“3 a 4 vezes na semana” e “1 a 2 vezes na semana”) e Omissão (“nunca ou quase nunca”). A idade foi obtida por meio do cálculo da diferença entre a data da aplicação do questionário e a data de nascimento, sendo o resultado expresso em anos completos de vida e classificada em 2 categorias: até 19 anos e 20 a 25 anos. Foi utilizado o teste do qui-quadrado para avaliar a associação entre a frequência de consumo das refeições e as variáveis demográficas (sexo e idade). As análises estatísticas foram conduzidas no software SPSS, versão 17.0 e foram considerados estatisticamente significativos os resultados com o nível de significância de 5%. Este estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Hospital Universitário Júlio Müller, sob parecer nº 1.006.048. Foram avaliados 1038 estudantes, sendo 51,0 % do sexo masculino e 78,8% apresentavam até 19 anos. Quanto a omissão de refeições, 12,5% dos alunos omitiam o desjejum, 51,0% a colação, 0,7% o almoço, 25,3% o lanche da tarde, 5,8% o jantar e 51,0% a ceia. A omissão do almoço (1,4% vs 0,5%; p<0,001) e do jantar (8,6% vs 5,0%; p=0,02) foram maiores em estudantes entre 20 e 25 anos comparados aos mais jovens. O lanche (28,5% vs 22,0%, p=0,04) foi mais omitido entre estudantes do sexo masculino comparados aos estudantes do sexo feminino, enquanto o jantar (9,3% vs 2,5%; p<0,001) e a ceia (53,9% vs 42,9%; p<0,001) foram mais omitidos entre estudantes do sexo feminino comparados aos estudantes do sexo masculino. Neste estudo, foram elevadas as prevalências de omissão das refeições, com diferenças significativas segundo faixa etária e sexo do estudante.

Palavras-chave


omissão de refeições; hábitos alimentares; universidade; estudante