Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, X Mostra da Pós-Graduação: Direitos Humanos, trabalho coletivo e redes de pesquisa na Pós Graduação

Tamanho da fonte: 
EFEITO DO TRATAMENTO COM VILAZODONA NO COMPORTAMENTO DO TIPO DEPRESSIVO EM CAMUNDONGOS ABSTINENTES AO ETANOL
Eguiberto Bernardes Fraga Junior

Última alteração: 05-10-18

Resumo


Evidências demonstram que na abstinência ao etanol ocorrem comorbidades neuropsiquiátricas como a depressão. Isso é uma situação grave pois a depressão durante a abstinência aumenta a probabilidade de recaída. O quadro depressivo em indivíduos abstêmios pode ser resultado da hipoatividade serotoninérgica induzidas pelo uso crônico de álcool. Assim, substâncias que modulam o sistema serotoninérgico podem atenuar a depressão observada nesses indivíduos, contribuindo com a estabilização da abstinência e reduzindo os episódios de recaídas. Desta forma, a vilazodona (VZD), inibidor seletiva da recaptação de serotonina e agonista parcial de receptores 5-HT1A, é um antidepressivo atípico utilizado no tratamento de transtornos depressivos. No entanto, não existem estudos acerca da eficácia da VZD na depressão em indivíduos abstinentes ao etanol. Nesse sentido, o presente trabalho avaliou os efeitos do tratamento com VZD sobre o comportamento do tipo depressivo na abstinência ao etanol em camundongos. Nesse modelo, camundongos albinos suíços machos foram tratados ou com salina ou com etanol 2 g/Kg por gavagem, durante 14 dias consecutivos e então colocados em abstinência por 05 dias (Protocolo CEUA n° 23108.204115/2017-25). Neste período de abstinência, os animais foram tratados via intraperitoneal (i. p.) ou com salina ou com VZD 0,3 ou 1 mg/Kg. No 5° dia de abstinência, 30 minutos após o tratamento, os animais foram submetidos aos testes comportamentais: campo aberto (avaliação da atividade locomotora) e nado forçado (avaliação do comportamento tipo depressivo). Na padronização do modelo experimental, os animais abstinentes apresentaram maior tempo de imobilidade no teste do nado forçado do que os animais não abstinentes. Não houve diferença entre a atividade locomotora dos abstinentes e não abstinentes. A VZD na dose de 0,3 e de 1 mg/Kg diminui o tempo de imobilidade no teste do nado forçado dos animais abstêmios em relação aos abstêmios tratados com salina. A VZD nas doses utilizadas não alterou a atividade locomotora dos animais no campo aberto. Diante desses achados, a VZD foi capaz de reverter o comportamento tipo depressivo em camundongos abstinentes. Esse efeito da VZD não foi devido à alterações da atividade locomotora. No entanto, experimentos adicionais são necessários para avaliar os mecanismos envolvidos na ação antidepressiva da VZD nesse modelo.

Palavras-chave


adicção; alcoolismo; vicio

Referências


HASIN, D.; LIU, X.; NUNES, E.; MCCLOUD, S.; SAMET, S.; ENDICOTT, J. Effects of major depression on remission and relapse of substance dependence. Arch Gen Psychiatry. v. 59 p. 375–380, 2002

KIRBY, L.G.; ZEEB, F.D.; WINSTANLEY, C.A. Contributions of serotonin in addiction vulnerability. Neuropharmacology, v. 61, p. 421-432, 2011

MARCINKIEWCZ, C. A.; KASH, T. L. Serotonin’s complex role in alcoholism: implications for treatment and future research. Alcoholism: Clinical and Experimental Research, v. 40, N° 6, p 1192-1201, 2016

SARI, Y.; JOHNSON, V. R.; WEEDMAN, J. M. Role of the serotonergic system in alcohol dependence: from animal models to clinics. Prog Mol Biol Transl Sci. V. 98, p. 401-443, 2011