Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, X Mostra da Pós-Graduação: Direitos Humanos, trabalho coletivo e redes de pesquisa na Pós Graduação

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Avaliação da participação dos receptores NMDA e da via oxido nítrico- GMPc no efeito do tipo antidepressivo da vilazodona no teste de suspensão pela cauda em camundongos
Cristina Maria de Arruda, Samuel Vandresen Filho, Vínicius Vezzy de Oliveira

Última alteração: 05-10-18

Resumo


Vilazodona (VZD) é um antidepressivo com novo mecanismo de ação usado no tratamento da depressão, apresentando uma inibição seletiva da recaptação de serotonina (5-HT) e um agonista parcial do recetor 5-HT1A. Apesar disso, os mecanismos do efeito antidepressivo da VZD não são totalmente compreendidos. Nos últimos anos, uma grande quantidade de trabalhos tem reportado a importância do papel do receptor N-metil-D-aspartato (NMDA) na depressão. E também, evidências demonstram que a redução dos níveis de óxido nítrico no hipocampo pode induzir efeitos do tipo antidepressivo, e dessa forma implicam a via do óxido nítrico na neurobiologia da depressão. Sabe-se que o óxido nítrico (NO) modula os níveis de guanosina 5’-monofosfato cíclico (GMPc), o qual por sua vez é conhecido por induzir comportamento do tipo depressivo em animais. Considerando-se o envolvimento dos receptores NMDA e da via NO-GMPc na patogênese da depressão e a importância desses alvos moleculares para a eficácia de antidepressivos, o presente trabalho pretende avaliar o efeito da administração de VZD em camundongos, bem como investigar o envolvimento dos receptores NMDA e da via NO-GMPc no efeito do tipo antidepressivo da VZD. Os animais foram tratados intraperitonealmente (ip) com veículo (salina 0,9%) ou VZD (0.1, 0.3, 1 ou 3 mg/Kg, i.p., 10ml/kg) 30 minutos antes de serem submetidos aos testes comportamentais. E para avaliação da participação dos receptores NMDA e da via NO-GMPc sobre a atividade antidepressiva da VZD, o pré-tratamento com cetamina, L-NAME e azul de metileno administrados 15 min, l-arginina e sildenafil administrados 30 min antes da VZD. A atividade locomotora, foi avaliado através do teste de campo aberto (TCA), seguido pelo teste de suspensão pela cauda (TSC) para avaliar a atividade antidepressiva. A administração de VZD (3 mg/kg), reduziu o tempo de imobilidade durante o TSC, sem alterar a atividade locomotora no TCA. O pré-tratamento de camundongos com l-arginina (750 mg/kg, i.p. precursor de NO), ou sildenafil (5 mg/kg, i.p. inibidor da fosfodiesterase 5) não foi capaz de reverter significativamente a redução no tempo de imobilidade provocada pela VZD (3 mg/kg, i.p.) no TSC. O tempo de imobilidade no TSC não reduziu após a administração de L-NAME (10 mg/kg, ip, um inibidor não-específico da NOS), ou azul de metileno (3,75 mg/kg i.p., inibidor NOS e guanilato ciclase solúvel) em combinação com uma dose sub-efetiva de VDZ (0,3 mg/kg, i.p.). Além disso, a administração de dose sub-ativa de VZD (0,3 mg/kg, i.p.) produziu um efeito antidepressivo no TSC quando combinada com dose sub-ativa de cetamina (1 mg/kg i.p., antagonista de receptor NMDA). Nenhum dos tratamentos afetou significativamente a atividade locomotora dos animais durante o teste de campo aberto. Tomados em conjunto, os nossos dados demonstram que o VZD exibe um efeito do tipo antidepressivo que parece ser mediado por uma inibição dos receptores NMDA.


Palavras-chave


vilazodona, antidepressivo, N-metil-D-aspartato, óxido nitríco, camundongos