Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, X Mostra da Pós-Graduação: Direitos Humanos, trabalho coletivo e redes de pesquisa na Pós Graduação

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DIETAS HIPERCALÓRICAS-HIPERLIPÍDICAS ASSOCIADAS A BEBIDA ENRIQUECIDA COM FRUTOSE ALTERAM HISTOLOGIA, CONTEÚDO DE LIPÍDEOS E GLICOGÊNIO EM FÍGADO DE RATOS WISTAR.
Lorena Silva Freire, Nair Honda Kawashita

Última alteração: 05-10-18

Resumo


Introdução: A ingestão de dieta hipercalórica-hiperlipídica (HH) aumenta o risco de obesidade, diabetes e síndrome metabólica. Além disso, HH altera o metabolismo hepático e está associada ao desenvolvimento da doença hepática gordurosa não-alcóolica (DHGNA), caracterizada pelo acúmulo excessivo de gordura no hepatócito, podendo evoluir para esteatohepatite, cirrose e hepatocarcinoma. Por outro lado, HH quando associadas a bebidas açucaradas pode potencializar a indução da obesidade e suas comorbidades, bem como a DHGNA. Objetivo: Avaliar o efeito de dietas HH com diferentes conteúdos de lipídeos associadas a solução de frutose sobre o conteúdo de glicogênio e lipídeos hepáticos, bem como a morfologia e deposição lipídica a partir de métodos histológicos no fígado de ratos Wistar recém-desmamados. Metodologia: Foram utilizados ratos Wistar machos (21 dias de idade, 43 ± 2g) divididos em 3 grupos: Controle (C, n=9) alimentado com dieta padrão AIN93G contendo 7% de lipídeo e água ad libitum; dieta hipercalórica hiperlipídica (HH1, n=9) contendo 45% de lipídios e hidratação com frutose 10% ad libitum; dieta hipercalórica hiperlipídica (HH2, n=9) contendo 60% de lipídios e hidratação com frutose 10% ad libitum. Após 70 dias, os animais foram anestesiados e eutanasiados; o conteúdo lipídico hepático foi determinado por método gravimétrico com clorofórmio/metanol; os níveis de glicogênio foram determinados por extração com KOH a 30%; as análises histológicas do tecido hepático foram realizadas com as colorações por hematoxilina eosina (H&E) e Oil Red O (ORO). Os dados (média±desvio padrão) foram analisados por Anova, e as diferenças submetidas a Tukey post-hoc (p<0,05). Resultados: O conteúdo de glicogênio hepático (mg/g) foi menor (p= 0,0219) em HH1 (10,71±1,39) quando comparado a C (13,41±2,71), o HH2 não alterou o conteúdo de glicogênio hepático quando comparado aos demais grupos (11,22±1,12). O conteúdo de lipídeos (g/g tecido) foram aumentados em HH1 (0,055±0,012) e HH2 (0,057±0,012) quando comparado ao C (0,037±0,009, p= 0,0021). A análise morfológica (H&E) demonstrou a formação de infiltrado celular e espessamento da matriz extracelular no espaço porta, induzida por dieta HH2 quando comparado ao C, não observado em HH1. A coloração ORO demonstrou maior deposição lipídica em HH1 e HH2 quando comparadas ao C; ainda, as gotículas lipídicas foram maiores em HH2 quando comparado com HH1. Conclusão: A indução da obesidade a partir das dietas HH em associação com a bebida com frutose diminuiu o conteúdo de glicogênio no grupo HH1, aumentou o conteúdo de lipídeos em ambos os grupos tratados, além de alterar a morfologia do tecido hepático, visto pelo maior infiltrado celular e espessamento da matriz, sugerindo um processo inflamatório e fibrinogênico. Além disso, houve aumento na deposição lipídica neste tecido, demonstrando que a dieta HH altera o metabolismo hepático, eleva o risco da DHGNA, além de outros distúrbios associados.


Palavras-chave


frutose, dieta hipercalorica-hiperlipidica, obesidade