Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, X Mostra da Pós-Graduação: Direitos Humanos, trabalho coletivo e redes de pesquisa na Pós Graduação

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Título: Risco da progressão do grau de incapacidade física por hanseníase, no período pós- alta por cura.
Aleksandra Rosendo dos Santos

Última alteração: 05-10-18

Resumo


Introdução: A alta por cura em hanseníase é definida pelo término do tratamento com poliqimioterapia (PQT). No entanto, as incapacidades físicas (IF) em decorrência do dano neural, podem ocorrer antes do diagnóstico, durante o tratamento e no período pós-alta por cura.

Objetivo: Analisar os fatores de risco para a progressão do grau de IF no período pós-alta por cura.

Método: Estudo longitudinal retrospectivo de análise de sobrevida sobre o risco de desenvolvimento de IF por hanseníase no período pós-alta por cura, em Cáceres, Mato Grosso. A população do estudo foi composta por casos novos de hanseníase que receberam alta por cura, no período de 01 de janeiro de 2000 a 31 de dezembro 2015. Os dados foram coletados por meio de prontuários, entrevista e avaliação neurológica simplificada. Foram incluídos pacientes residentes em área urbana e com do grau de IF no diagnóstico e na alta. Dados socioeconômicos, operacionais e clínicos foram incluídos como variáveis independentes. Os participantes foram avaliados quanto ao grau de incapacidade no diagnóstico, na alta e na pós-alta. Na análise de sobrevida considerou-se o tempo entre a data da alta do tratamento a da avaliação pós-alta por cura e por evento foi considerado o aumento do grau de IF. A unidade de medida do tempo foi  Pessoa-mês ( Pm). As pessoas perdidas no seguimento foram censuradas no final do estudo. Foram produzidas curvas de Kaplan-Meier para avaliar a probabilidade da progressão do grau de IF pós-alta e as funções de sobrevida por meio do teste de Log-rank. As análises foram realizadas por meio do modelo de regressão de Cox ao nível de significância de 5%.

Resultados: Para os 672 participantes do estudo a curva de sobrevida mostra a probabilidade de 85,1% de permanecer sem progressão do grau de IF no período pós-alta por cura (IC95%, 81,2-87,8). Os avaliados possuíam idade mediana igual a 43 anos (IQR, 28-55), a maioria do sexo masculino (55,2%; n=346); raça/cor parda (27,3%; n=171) e ensino fundamental incompleto (31,1%; n=195). A taxa de incidência da progressão do grau de IF foi de 10,3/1000Pm para os recidivos; 3,1/1000Pm para a forma clínica dimorfa, 3,3/1000Pm para os casos com reação no tratamento e 3,25/1000Pm pós-alta; 4,3/1000Pm para aqueles que afastaram do trabalho com atestado médico no tratamento e 4,81/1000Pm pós-alta; 3,2/1000Pm para os que receberam outras medicações, além  da PQT; 3,0/1000PM para os casos com registros de queixa;  3,2/1000Pm para os contatos de hanseníase e  2,7/1000Pm para os casos com grau 1 de IF no diagnóstico. Na análise de sobrevida o risco de progressão da IF para as pessoas com idade entre 30 e 59 anos foi de 2,5(95% CI:1,38-4,53); para os recidivos 15,5 (95% CI:1,44-167,1); forma clínica dimorfa 2,3(95% CI:1,41-3,64); episódio de reação no tratamento 1,8(95% CI:1,08-3,00) e registros de queixas durante o tratamento 1,87(95% CI:1,21-2,91).

Conclusão: Os casos de recidivas, episódios reacionais e as queixas durante o tratamento são fatores de risco para a progressão da IF  por hanseníase no período pós-alta por cura.


Palavras-chave


Hanseníase;Incapacidade Física;Cura,Sobrevida

Referências


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2-Boku N, Lockwood DN, Balagon MV, Pardillo FE, Maghanoy AA, Mallari IB, et al. Impacts of the diagnosis of leprosy and of visible impairments amongst people affected by leprosy in Cebu, thePhilippines. Lepr Rev 2010; 81(2): 111-20.

3-Organização Mundial da Saúde.Estratégia mundial para Hanseníase 2016-2020: Aceleração rumo ao mundo sem hanseníase, Nova Deli;2017.