Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, X Mostra da Pós-Graduação: Direitos Humanos, trabalho coletivo e redes de pesquisa na Pós Graduação

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Abordagem Enunciativa Discursiva (AED): refletindo percursos teórico-metodológicos
Márcia de Moura Gonçalves

Última alteração: 17-10-18

Resumo


O presente trabalho objetiva investigar o processo de ensino-aprendizagem de inglês pelo sujeito visual ao longo do Curso Ensino de Inglês para o Acadêmico Surdo desenvolvido no âmbito de um projeto piloto em uma universidade brasileira. No plano teórico, este estudo fundamenta-se na perspectiva Enunciativa Discursiva da Linguagem segundo Bakhtin e o Círculo (1929, 1953), nos pressupostos sobre aprendizagem como interação social conforme Vigotski (1934) e no conceito de sujeito visual segundo Duarte (2016). No plano metodológico, para esta pesquisa de natureza exploratória em sala de aula, elaboramos uma proposta de ensino de inglês por meio dos gêneros do discurso em uma ressignificação do conceito de megainstrumento, proposto por Schneuwly (2004 [1994]), a fim de investigarmos a possibilidade de construção de proposta teórico-metodológica para o ensino de inglês pelo viés bakhtiniano. Nesse sentido, proponho uma Abordagem Enunciativa Discursiva (AED) para o ensino de inglês como língua estrangeira para o sujeito visual no contexto do ensino superior. Esse projeto piloto foi desenvolvido com o total de 07 acadêmicos, 05 visuais e 02 ouvintes, no período de 16 encontros de 1h30, com carga horária total de 24 horas/aula. Os resultados da análise indicam que o uso dos gêneros do discurso, na modalidade escrita em inglês, como objeto de ensino pode funcionar como instrumento de aprendizagem não somente do idioma, mas pode, além disso, propiciar a compreensão do enunciado produzido por um sujeito sócio-histórico (e do que isso implica) e, também, da sua construção discursiva. Entretanto, é preciso investir na formação inicial e continuada do professor de inglês sob essa perspectiva a fim de que ele, ao longo de suas experiências, consiga tornar a sala de aula um espaço de construções dialógicas e de respeito à alteridade. A análise também indica que a aula de inglês deve ser mediada pela Língua de Sinais Brasileira (Libras), seja com o próprio professor sinalizando, se ele for fluente nessa língua, seja por meio do intérprete de Libras. Outro aspecto já observado, e cuja análise ainda está em andamento, relaciona-se às especificidades concernentes às estratégias interativas em sala de aula visando as atividades de ensino e aprendizagem. Até o momento desta pesquisa doutoral, os resultados apontam que, no contexto social e histórico em que as políticas de inclusão estão criando oportunidades cada vez maiores para o avanço educacional dos visuais no Brasil, o ensino superior constitui, atualmente, espaço relevante para aprendizagem de línguas estrangeiras pelo visual e para pesquisas interdisciplinares dos Estudos  Surdos e da Linguística Aplicada ao ensino da língua estrangeira. Esta pesquisa está vinculada ao Grupo de Pesquisa Relendo Bakhtin, REBAK/PPGEL/UFMT/CNPq.


Palavras-chave


Estudos Bakhtinianos; Ensino de Inglês; Sujeito Visual.