Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, X Mostra da Pós-Graduação: Direitos Humanos, trabalho coletivo e redes de pesquisa na Pós Graduação

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Nanoencapsulação e potencialização do efeito citotóxico do arteméter em uma linhagem de glioblastoma humano
Jader Büttner-Pires, Letícia Cruz, Stela Regina Ferrarini, Cláudia Marlise Balbinotti Andrade

Última alteração: 05-10-18

Resumo


Glioblastomas são tumores cerebrais devastadores que acometem o sistema nervoso central e a sobrevida dos pacientes é de aproximadamente 12 meses. Um dos principais fatores que contribui para esse prognóstico é a restrita permeabilidade da barreira hematoencefálica e a toxicidade dos quimioterápicos. A artemisina e seus derivados, como o arteméter, são lactonas sesquiterpênicas que, além de apresentarem efeito antimalárico, apresentam propriedades anticâncer específicas. O arteméter é um pró-fármaco rapidamente metabolizado em dihidroartemisina, seu metabólito ativo. A ponte de peróxido presente em sua molécula reage com o Fe2+ intracelular, gerando espécies reativas de oxigênio (EROS). As EROS formadas induzem a apoptose e danos oxidativos ao DNA. Como as células tumorais apresentam poucas enzimas antioxidantes, elas são mais susceptíveis aos danos causados pelas EROS. Baseado nisso, há possibilidade de os derivados da artemisina se tornarem possíveis classes de antitumorais de amplo espectro. Porém, o arteméter apresenta baixo potencial antitumoral e, sua associação a nanocarreadores pode viabilizar sua utilização. Os nanossistemas apresentam tamanhos submicrométricos e, portanto, podem carrear o fármaco em regiões onde a molécula livre não seria capaz de atingir, além de manter o nível sérico por mais tempo, potencializando sua ação farmacológica e reduzindo efeitos tóxicos. Nesse trabalho foram desenvolvidas nanocápsulas poliméricas de núcleo lipídico (LNC) utilizando óleo de pequi como agente estruturante e arteméter em seu núcleo. As LNCs contendo 12 mg.mL-1 de óleo de pequi e 0,5 mg.mL-1 de arteméter (LNCART) foram desenvolvidas pelo método de deposição do polímero pré-formado e caracterizadas frente ao diâmetro médio da partícula, pH e potencial zeta. Para fins de comparação, foram desenvolvidas nanocápsulas sem fármaco, denominadas LNCPEQ. A linhagem de glioblastoma humano (U87MG) foi cultivada em meio DMEM suplementado com 10% SFB. A citotoxicidade foi avaliada pela determinação da viabilidade mitocondrial (MTT) após as células serem tratadas por 24 horas com óleo de pequi livre (OPL) nas concentrações de 30, 60, 120, 240, 480 e 960 µg.mL-1, arteméter livre ou nanoestruturado nas concentrações de 1,25, 2,5, 5, 10, 20 e 40 µg.mL-1 e OPL acrescido de arteméter, mantendo a proporção presente na LNCART. O OPL não alterou a viabilidade celular nas concentrações testadas. Já o arteméter livre foi capaz de reduzir a viabilidade celular nas concentrações de 20 e 40 µg.mL-1. Porém, ao tratar as células com 960 µg.mL-1 de OPL acrescido fisicamente com 40 µg.mL-1 de arteméter, a redução da viabilidade celular foi menor que a redução observada ao tratar as células com 40 µg.mL-1 de arteméter (p≤0,05). Acredita-se que a ação antioxidante do OPL foi capaz de reduzir a ação citotóxica do arteméter, visto que sua ação é dependente de EROS. Quando as células da linhagem U87MG foram expostas a LNCART, observou-se redução na viabilidade celular entre as concentrações 1,25 a 10 µg.mL-1, confirmando a potencialização do efeito citotóxico. Esses dados nos permitem inferir que as nanocápsulas com o arteméter foram mais efetivas para as células tumorais quando comparadas ao efeito do fármaco livre na mesma concentração. Deste modo, podemos esperar que isso resulte em menor toxicidade para as células normais.

Palavras-chave


Pequi; Caryocar brasiliense Cambess; Nanocápsulas; Citotoxicidade; Glioblastoma

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