Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, X Mostra da Pós-Graduação: Direitos Humanos, trabalho coletivo e redes de pesquisa na Pós Graduação

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IDENTIFICAÇÃO DE MARCADORES IMUNOLÓGICOS PREDITIVOS DA EVOLUÇÃO DA HANSENÍASE DIMORFA E REAÇÕES HANSÊNICAS
Renata Ito de Araújo, Fabricio Rios Santos, Cor Jesus Fernandes Fontes

Última alteração: 05-10-18

Resumo


A hanseníase é causada pelo bacilo Mycobacterium leprae sendo transmitida por contato direto ou inalação de perdigotos, podendo acarretar a infecção em danos irreversíveis como a perda de função motora e sensitiva periférica. Clinicamente a hanseníase pode se apresentar sob as formas tuberculóide (HT), virchowiana (HV) e dimorfa (HD). As formas clínicas evoluem de acordo com as condições imunológicas do indivíduo; dentre aas quais as HT e a HV possuem respostas imunológicas específicas, enquanto que a  HD pode apresentar indeterminação em sua evolução. De fato, a HD pode ser  classificadas em tipo 1 e tipo 2, de acordo com a sua semelhança entre os perfis de HT e HV, respectivamente. As reações do tipo 1 são localizadas em lesões de pele e dos nervos periféricos, já a do tipo 2 são episódios sistêmicos, mais graves e de maior morbidade. Atualmente não existem ferramentas de auxílio diagnóstico que possam predizer a evolução clínica dos pacientes dimorfos. Logo, a identificação de marcadores de progressão e das polarizações clínicas que pacientes com HD estão susceptíveis constituem em importante fator de predição das reações hansênicas e do desfecho da própria doença. Portanto, o objetivo desse estudo será avaliar se existe um padrão definido na diferenciação de linfócitos T auxiliares em subtipos de pacientes HT, HV e HD, assim como a variabilidade no perfil de citocinas linfocitárias e sua correlação como marcadores preditivos de reações hansênicas do tipo 1 e tipo 2. Para isso, serão selecionados aproximadamente 20 pacientes dos grupos HT, HV e HD do Ambulatório III do HUJM e 20 voluntários como grupo controle que possuem resultados negativos para a sorologia de PGL-I. Além da avaliação clínica e laboratoriais preconizadas pela rotina clínica, serão coletadas amostras de sangue para imunofenotipagem com os anticorpos florescentes anti-CD4, anti-CD25, anti-INF-γ, anti-IL-4, anti-IL-17 e Anti-FoxP3 em células mononucleares de sangue periférico e dosagem sorológica de citocinas produzidas por Th1, Th2, Th17 e Treg (TNF-α, INF-γ, IL-2, IL-4, IL-6, IL-10 e IL-17A). Com isso, espera-se nesse estudo identificar a ocorrência de alterações nas populações linfocitárias e do perfil de citocias que possam ser preditoras das polarizações clínicas dos pacientes com HD, assim como dos quadros reacionais. Tendo como base uma melhor implantação dos diagnósticos diferenciais para o tratamento adequado a cada indivíduo, como preconiza os princípios do SUS. Desta forma a continuidade dessa assistência terá o potencial de evitar condutas dispensáveis como o uso desnecessário de drogas potencialmente tóxicas e adoção de esquemas terapêuticos ineficazes, através de uma melhor categorização do perfil imunológico.

 


Palavras-chave


Hanseníase; reações hansênicas; marcadores inflamatórios; Imunologia; Mycobacterium leprae

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