Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, X Mostra da Pós-Graduação: Direitos Humanos, trabalho coletivo e redes de pesquisa na Pós Graduação

Tamanho da fonte: 
Diminuição da riqueza de formigas em ambientes Amazônicos e Savanicos no Brasil: perturbações ambientais e padrões Latitudinais.
Antonio Fernando Paiva, Thiago Junqueira Izzo

Última alteração: 25-10-18

Resumo


Coletas de formigas, tanto em ambientes nativos quanto em ambientes antrópicos, são relativamente fáceis e sempre são eficazes. Estudos avaliando o número de espécies de formigas em áreas continentais, mostram padrões geográficos da riqueza de espécies que podem descrever como o ambiente reage a novas modificações ambientais. A partir de estudos publicados em periódicos científicos que possuem listas de espécies de formigas, criamos um banco de dados de em ambientes nativos e perturbados na Amazônia e nos ambientes savânicos que a circunda: Pantanal, Cerrado e Caatinga. Associadas as listas, coletamos também informação sobre o método de coleta das formigas, a situação do ambiente quanto ao nível de interferência antrópica, latitude e longitude do local da coleta. No total foram encontrados 133 trabalhos com listas de espécies de formigas divididos nos três biomas pesquisados, somando um total de 325 áreas coletadas. Nossas análises mostraram que a diversidade alfa difere entre ambientes Amazônicos e ambientes Savanicos (juntos - Cerrado, Caatinga e Pantanal). Em ambientes perturbados houve uma diminuição na riqueza de espécies, sendo esta diminuição nitidamente mais expressiva nos ambientes de savana. Porém, independentemente do método, não houve menor riqueza nos ambientes savânicos quando comparados com a Amazonia. Também não observamos variação na riqueza em relação a latitude. Já no caso da longitude, observamos uma forte relação com o aumento da riqueza em direção ao interior do continente, tanto para Amazônia quanto para a Savana. Em uma análise apenas da Amazônia a diferença na riqueza tanto para ambientes perturbados e nativos foi apenas marginalmente significativo. Não houve padrão geral para mudança na riqueza entre a distância do Equador, enquanto um forte padrão longitudinal foi observado. Em ambientes não perturbados a riqueza não muda com a latitude, porém o efeito da perturbação parece ser mais forte a medida que se aproxima do Equador, e menos perceptível em menores latitudes. O padrão observado para longitude é diferente, enquanto em ambientes perturbados a riqueza é baixa independentemente da longitude, em ambientes nativos a riqueza varia em até três ordens de magnitude em média. Dos Andes até o Oeste até próximo ao extremo deste da distribuição do bioma amazônico (ecotone com o cerrado). Nesse extremo não há diferença entre a riqueza de ambientes perturbados e naturais.


Palavras-chave


diversidade alfa; lista de espécies; macroecologia; conservação.

Referências


Andersen, Alan N. 1997. “Using Ants as Bioindicators: Multiple Issues in Ant Community Ecology.” Conservation Ecology 1(1): 1–17.

Brook, Barry W., Navjot S. Sodhi, and Corey J A Bradshaw. 2008. “Synergies among Extinction Drivers under Global Change.” Trends in Ecology and Evolution23(8): 453–60.

Majer, J. D. 1983. “Ants: Bio-Indicators of Minesite Rehabilitation, Land-Use, and Land Conservation.” Environmental Management 7(4): 375–83.

Wiilg, M.R.,Kaufman D.M., and Stevens R.D., "Latitudinal Gradients of Biodiversity: pattern, process, scale,and synthesis." Rev. Ecol. Evol. Syst. 34:273-309, 2003.

Vasconceos H.L., Maravalhas J.B., Feitosa R.M., Pacheco R., Neves K.C., and Andersen A.N. "Neotropical savanna ants show a reversed latitudinal gradient of species richness, with climatic drivers reflecting the forest origin of the fauna." journal of Biogeography, 2017.