Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, X Mostra da Pós-Graduação: Direitos Humanos, trabalho coletivo e redes de pesquisa na Pós Graduação

Tamanho da fonte: 
Condições clínicas relacionadas ao câncer colorretal e o inflamassoma: Implicações prognósticas
Raylane Adrielle Gonçalves Cambui

Última alteração: 05-10-18

Resumo


Câncer Colorretal (CCR) é, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a terceira causa mais comum de morte por câncer no mundo e, segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), a terceira mais comum neoplasia maligna no Brasil. Atualmente, está bem estabelecido que respostas inflamatórias podem influenciar o crescimento tumoral, invasão, metástase e sobrevida, e estas respostas inflamatórias são mediadas por um mecanismo que desempenha papel fundamental na primeira defesa do organismo: o inflamassoma, um complexo multiprotéico composto por um receptor Nod-like (NLR), a proteína adaptadora ASC e a protease caspase-1, que visa a secreção das interleucinas IL-1β e IL-18. O objetivo deste estudo foi descrever o perfil epidemiológico de indivíduos com CCR e analisar a influência que as variações nos genes do inflamassoma (NLRP3 rs10754558> C / G e rs35829419> A / C; NLRP1 rs11651270> C / T e rs12150220 > A / T; NLRP6 rs4758635> G / T e NLRC4 rs479333> C / G); IL-1B rs16944> G/A; IL-18 rs1834481> C/G e rs5744256> A/G exercem nas condições clínicas de indivíduos com CCR. Este estudo teve um delineamento epidemiológico tipo coorte retrospectiva composto por 215 indivíduos adultos operados por CCR provenientes dos serviços de oncologia de Cuiabá. Os resultados parciais sugerem que o polimorfismo NLRP1 rs12150220 atua como um fator de risco para recidiva, uma vez que 80% dos pacientes que apresentaram recidiva possuiam o alelo polimórfico (A/T-T/T) (valor de p:0,02 e OR:2,60), enquanto que os polimorfismos NLRP3 rs10754558 (valor de p: 0,04 e OR: 0,43) e IL-1B rs16944 (valor de p: 0,04 e OR: 0,42) atuam como fator de proteção para recidiva. Com relação à sobrevida, observamos uma associação com o polimorfismo NLRP1 rs12150220. Os pacientes pordatores do alelo polimórfico  (A/T-T/T) apresentaram uma média de vida de 5,9 anos, enquanto os demais pacientes apresentaram média de vida de 7,9 anos (valor de p: 0,01). Observamos, também, uma associação de proteção entre o polimorfismo NLRP1 rs11651270 e os níveis séricos do antígeno carcinoembriogênico (CEA). Pacientes portadores do alelo polimórfico (C/T-C/C) apresentaram uma média de 29,13 ng/mL enquanto os demais pacientes apresentaram uma média de 326,46 ng / mL (valor de p: 0,01). Ainda com relação aos níveis de CEA, observamos associação de risco com o polimorfismo NLRP6 rs4758635. Pacientes portadores do alelo polimórfico em homozigose (G/G) apresentaram uma média de 345,49 ng/mL, enquanto os demais apresentaram média de 64,68 ng/mL. Portanto, nossos dados sugerem que o inflamassoma pode ser um útil marcador prognóstico no intuito de reduzir a mortalidade por CCR.

 

 


Palavras-chave


Inflamassoma; Cancer; Marcador prognóstico

Referências


  1. Brenner, H., Kloor, M., Pox, C.P. Colorectal Cancer. The Lancet (2014) 383: 1490–502.
  2. Mahasneh A, Al-Shaheri F, Jamal E. Molecular biomarkers for an early diagnosis, effective treatment and prognosis of colorectal cancer: current updates. Experimental and Molecular Pathology (2017) 102: 475–483.
  3. Thi, H.T.H., Hong, S. Inflammasome as a Therapeutic Target for Cancer Prevention and Treatment. Journal of Cancer Prevention (2017) 22(2): 62-63.
  4. Karki R, Man SM, Kanneganti TD. Inflammasomes and Cancer. Cancer Immunology Research (2017) 5(2).