Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, X Mostra da Pós-Graduação: Direitos Humanos, trabalho coletivo e redes de pesquisa na Pós Graduação

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A ESCOLHA DO ACOMPANHANTE: A VIVENCIA DE PUÉRPERAS QUE TIVERAM PARTO VAGINAL
DANIELE CRISTIE DE MOURA, Áurea Christina de Paula Correa, Renata Cristina Teixeira

Última alteração: 03-10-18

Resumo


Os benefícios de ter um acompanhante de livre escolha no processo parturitivo é explorado por pesquisas cientificas desde meados da década de 1980. No contexto Brasileiro este beneficio é resguardado por lei desde 2005, e reforçado no texto da rede cegonha em 2011. Objetivo Analisar como ocorre  a escolha de acompanhantes para participar do processo parturitivo de mulheres que tiveram parto vaginal, no contexto de um hospital de ensino de Mato-Grosso. Metodologia estudo descritivo, de abordagem qualitativa, realizado na capital do estado de mato grosso no contexto de um hospital universitário, as participantes foram 11 mulheres que tiveram parto vaginal, de risco habitual, assistido no referido hospital e contaram com acompanhantes de livre escolha. A coleta de dados se deu através de entrevista orientada por um roteiro semi-estruturado e os dados foram analisados a partir da analise de conteúdo temática. Este estudo é um subprojeto do projeto matricial – Humanização da Assistência ao Parto – submetido ao Comitê de Ética em Pesquisa do HUJM e aprovado pelo Parecer n. 1.302.939. Resultados: As puérperas participantes deste estudo realizaram pré-natal em unidades básicas de saúde e tinham pelo menos seis consultas registradas em sua caderneta de gestantes. As participantes referiram que receberam uma assistência pré-natal pautada em aspectos biomédicos, com o foco em exames laboratoriais, exames físicos e vacinas, referiram pouco espaço para conversa e escuta de suas duvidas. Quando indagadas a cerca do processo de escolha do acompanhante, as puérperas referiram terem recebido informações gerais durante o pré-natal, mas desconhecer o direto de escolha até a chegada a maternidade. Mesmo as que referiram ter contato com a possibilidade de ter acompanhante durante a assistência pré-natal tinham uma característica marcante em seu discurso que era a falta de aprofundamento sobre qual era o papel do acompanhante durante o processo parturitivo, evidenciando assim uma falha, por parte dos profissionais da assistência, na sensibilização destas gestantes para esta escolha.  O apoio ofertado pelo acompanhante no parto vaginal está associado à redução no tempo de parto, a  menor probabilidade do uso de medicamentos para dor, além do aumento da satisfação da parturiente. No entanto, apenas a presença do acompanhante não assegura a oferta de apoio de forma ativa. Então é relevante que haja uma sensibilização para que estas mulheres façam esta escolha de forma consciente e planejada, pautada no que ela espera para seu parto. CONCLUSÃO: Este estudo reafirma que a escuta qualificada na assistência pré-natal, somada a ações de educação em saúde, contribuem para o desenvolvimento da autonomia e do empoderamento feminino frente ao processo parturitivo.


Palavras-chave


Cuidado Pré-Natal; Acompanhantes de pacientes em exames físicos; Parto Normal.

Referências


BRASIL. Lei nº 11.108. Altera a Lei nº 8.080, de 19 de setembro de 1990, para garantir às parturientes o direito à presença de acompanhante durante o trabalho de parto, parto e pós-parto imediato, no âmbito do Sistema Único de Saúde – SUS. Diário Oficial da União 2005; 8 abr.

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. Portaria nº 1.459, 24 de junho de 2011. Institui, no âmbito do Sistema Único de Saúde, a Rede Cegonha. Diário Oficial da União, Brasília, 2011. Seção 1.

HOUDNETT et al, Continuous support for women during childbirth. Cochrane Database Syst Rev. 2013.

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