Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, X Mostra da Pós-Graduação: Direitos Humanos, trabalho coletivo e redes de pesquisa na Pós Graduação

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Prática de higiene das mãos e a presença de microrganismos potencialmente patogênicos
Emanuelle Righetto Corrêa, Marília Duarte Valim, Alexandre Paulo Machado

Última alteração: 03-10-18

Resumo


As Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde (IRAS) são os eventos adversos mais frequentes e são responsáveis por altas taxas de morbimortalidade, tempo prolongado de internação e elevado ônus financeiro. As mãos dos profissionais de saúde são as principais vias de transmissão de microrganismos e a Higiene das mãos (HM) é a medida mais eficaz para prevenir as IRAS. A equipe de enfermagem é essencial na prevenção das infecções, pois representam a maioria dos profissionais e são responsáveis pela assistência de forma ininterrupta em saúde. O objetivo deste estudo foi avaliar a correlação entre a presença de microrganismos potencialmente patogênicos e a prática de adesão à higiene das mãos durante os cinco momentos preconizado pela Organização Mundial de Saúde. Estudo transversal, com 60 profissionais de enfermagem, atuantes na Clínica Médica, Unidade Semi-Intensiva e Unidade de Terapia Intensiva Adulto de um hospital público de ensino, em Mato Grosso, Brasil. Realizou-se a observação da prática de adesão à HM nos cinco momentos, assim como a conformidade da mesma, de acordo com tempo e técnica preconizada e o tipo de agente utilizado. Logo após, foi realizada a coleta da microbiota das mãos. A mão dominante foi introduzida em saco plástico, com 200 mL de infusão cérebro coração esterilizado e massageada por 1 minuto. Foi semeado 0,1mL de cada amostra em placas de Petri contendo meios seletivos e diferenciais e posteriormente foram incubadas a 36º C por 24 a 72 horas. Para caracterização presuntivas dos microrganismos foram realizados exames microscópicos a fresco, coloração de Gram, testes enzimáticos e bioquímicos. Nas 10 observações realizadas antes de contato com o paciente, em 08 (80%) a HM não foi realizada ou não a fizeram corretamente e nas 12 observações antes de procedimento asséptico, em 11 (91,7%) a HM não foi realizada ou realizada de forma incorreta. Das 60 amostras das mãos, 39 (65%) tiveram microrganismos potencialmente patogênicos isolados, sendo que destas em 21 (53,8%) a HM foi realizada incorretamente e em 18 (46,2%) não realizaram a higiene das mãos. Não houve crescimento de microrganismos nas mãos com higiene realizada corretamente 08 (13,3%), destas em 06 (75%) a higiene foi realizada com água e sabão ou clorexidina 2% e em 02 (25%) foi realizada a fricção com álcool. Dos 85 microrganismos isolados, 31 (36,5%) são presuntivos de Staphylococcus sp resistente à oxacilina, 12 (14,1%) de bacilos Gram-negativos, 6 (7%) de Enterococcus sp e 4 (4,7%) de leveduras. Os enfermeiros tiveram menor proporção de mãos com microrganismos potencialmente patogênicos (54,6%). Na Clínica médica/Unidade Semi-Intensiva 24(70,5%) das mãos apresentaram microrganismo potencialmente patogênico e na Unidade de Terapia Intensiva 14 amostras (53,8%). A adesão à HM está baixa e não está sendo realizada conforme tempo e técnica padronizados. O estudo sugere relação entre a não adesão à higiene das mãos e a ocorrência de microrganismos potencialmente patogênicos, o que coloca em risco a segurança do paciente. Há necessidade de educação em saúde que visem a mudança de comportamento para melhora da prática de HM.


Palavras-chave


Higiene das mãos; Segurança do paciente, Controle de infecção.