Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, X Mostra da Pós-Graduação: Direitos Humanos, trabalho coletivo e redes de pesquisa na Pós Graduação

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DITOS E ESCRITOS DE/SOBRE CÂNDIDO RONDON: UMA LEITURA DISCURSIVA
Terezinha Ferreira de Almeida

Última alteração: 18-10-18

Resumo


O governo republicano empreendeu no Brasil várias expedições para regiões interioranas com intuito de integrar territórios até então habitados por comunidades indígenas ao restante do país. A Comissão Rondon, comandada pelo Marechal Cândido Mariano da Silva Rondon, foi incumbida de marcar a presença do governo brasileiro por meio da implantação de linhas telegráficas no interior do país para que fosse possível estabelecer a comunicação entre o norte e o sul do Brasil. Nessa empreitada, Rondon e sua equipe estabeleceu contato pela primeira vez com tribos indígenas até então desconhecidas. A política de integração adotada pelo marechal no processo de ‘domesticação’ dos indígenas tornou amplamente conhecida por sua abordagem humanista, que visava integrar o índio ao processo de modernização ao invés de apenas retirá-lo do caminho. As ações da expedição foram amplamente divulgadas pelo Governo Federal por meio de produção de material institucional, sendo boa parte das fontes pertencentes ao arquivo pessoal de Rondon. Essa campanha massiva do governo Vargas, típica dos governos ditatoriais, atravessou fronteiras e elevou o nome de Cândido Rondon também no exterior, rendendo-lhe títulos e honrarias. Hoje há uma gama de materiais gráficos e audiovisuais produzidos no intuito de homenagear e preservar a memória de Rondon. Nessas obras, a figura do Marechal Cândido Rondon se transforma numa espécie de herói nacional, tanto pela grande empreita de desbravar o interior e instalar o telégrafo, como por representar os interesses indígenas, que passaram a ser tutelados pelo estado. No entanto, como na linguagem os sentidos sempre podem ser outros, há uma outra possível leitura que destoa do senso comum acerca da Comissão Rondon, visto que o contato com essas tribos isoladas resultou na dizimação de comunidades inteiras, assoladas por contágio de doenças e/ou confrontos motivados pela posse de terras, além de a presença do telégrafo no interior da floresta ter alterado o modo de vida dos indígenas. Seguindo essa visão antropológica, este estudo pretende realizar uma leitura desses ditos e escritos de/sobre Rondon no intuito de investigar a construção do discurso que o caracteriza como herói indigenista e a visão antropológica na atualidade. O corpus de pesquisa será constituído por via arquivista, composto por materiais institucionais, artigos de jornal e documentários bem como teses/dissertações abstraídas do banco de teses e dissertações da CAPES, as quais apresentam uma visão antropológica dos fatos. Desse material serão retirados recortes em que aparecem o dissenso herói x anti-herói em relação à construção do ethos de Cândido Rondon. Esses discursos serão analisados sob as lentes da Análise de Discurso de orientação francesa, a qual reconhece Michel Pêcheux como seu fundador, lançando mão de conceito de imagem de autor proposto por Maingueneau, dentre outros; passeando pelos historiados como Le Goff, Pierre Nora e Peter Burke para abordar a historicidade do acontecimento.


Palavras-chave


Rondon; Análise do Discurso; indianismo; herói; anti-herói