Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, X Mostra da Pós-Graduação: Direitos Humanos, trabalho coletivo e redes de pesquisa na Pós Graduação

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As intrigas do Imperador: uma análise de narrativas biográficas sobre D. Pedro II
Mauro Henrique Miranda de Alcântara, Leandro Duarte Rust

Última alteração: 22-11-18

Resumo


O Imperador D. Pedro II é um dos personagens históricos nacionais mais biografados. Mais de 20 obras que narram sobre a vida já foram publicadas.  Ele é biografado desde o final do século XIX até os dias atuais. Este cenário nos descreve a importância da memória deste sujeito histórico na cultura política nacional. Cada um destes biógrafos partiu de determinadas perguntas/inquietudes e documentações para construir as suas respectivas narrativa; contudo, parte considerável deles veem no personagem uma sinédoque do seu tempo; diante disso, buscamos através das referenciais teóricos e metodológicos apresentados pelo historiador francês Paul Ricoeur, realizar uma análise narrativas de quatro biografias: “Dom Pedro II, Imperador do Brasil”, escrita pelo francês Benjamin Mossé, mas também creditada a autoria da obra ao barão do Rio Branco. A obra fora publicada em francês no ano de 1889; em 1891 fora publicada no Brasil e em 2015 relançada pela Fundação Alexandre de Gusmão (FUNAG), como autoria do barão. A segunda obra analisada foi “Dom Pedro II: Imperador Cinzento de uma Terra de Sol Tropical”, inicialmente proferida em palestra, no ano de 1925 por Gilberto Freyre e, em 1975, publicada como obra pelo Conselho Estadual de Cultura de Pernambuco. A terceira obra é a escrita pelo diplomata-historiador Heitor Lyra: “História de Dom Pedro II”; publicada, inicialmente entre os anos de 1938-1940 em três volumes, ganhou uma segunda edição 1977 (pós-morte do biógrafo) com os mesmos volumes, mas segundo o editor, Alexandre Eulálio, esta fora aumentada. Por fim, a última biografia elegida é a escrita pelo historiador Pedro Calmon: “História de D. Pedro II”, publicada no ano de 1975, em cinco tomos e duas mil páginas. Justifica-se a escolha destas quatro obras pois elas foram publicadas e/ou republicadas em momentos históricos distintos (1889/1891/2015, 1925/1975, 1938-1940/1977, 1975); são elas, também, objeto de consulta/fonte para biografias contemporâneas e os seus respectivos autores foram e em alguns casos, ainda são, marcantes para a história e/ou historiografia nacional. Outro fator importante para a escolha destas obras é que, por mais que os seus autores possuem estilos diferentes, sejam obras de tamanhos e conteúdos diferenciados, todos eles partem de uma mesma ideia: D. Pedro II fora o personagem-símbolo do seu tempo. Diante disso, a partir dos conceitos de configuração da intriga, síntese do heterogêneo, inovação semântica e mímesis, emprestadas do Ricoeur, buscamos verificar como estas narrativas construíam as suas respectivas intrigas sobre o personagem; o resultado, ainda que parcial, nos revela que a modulação verbal e adverbial destas obras, fazem com que a vida do Imperador ganhe uma temporalidade. Altera-se a perspectiva temporal: uma obra apresenta uma perspectiva bipartite do tempo (passado-futuro/futuro-passado), como a do Heitor Lyra, outra apresenta uma perspectiva tripartite, mas com o protagonismo do passado (passado-passado, passado-presente, passado-futuro), do Pedro Calmon, por exemplo. Dessa maneira, temos verificado que, mais importante do que o aporte documental, nestas biografias, ao menos, a estrutura narrativa e sua perspectiva verbal/adverbial é o que atualiza a narrativa de um personagem histórico, para o presente do biógrafo, favorecendo a presentificação de D. Pedro II.

Palavras-chave


Narrativa; Temporalidade; Intriga; Império; Biografia.