Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, X Mostra da Pós-Graduação: Direitos Humanos, trabalho coletivo e redes de pesquisa na Pós Graduação

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O CÂNCER E A EXPOSIÇÃO AOS AGROTÓXICOS
Cauê Felipe Pimentel, Ricardo Alves de Olinda

Última alteração: 06-11-18

Resumo


O Brasil é um dos maiores produtores agropecuários do mundo, sendo que a comercialização de agrotóxicos e afins no país tem aumentando ao longo dos anos, sem acréscimo proporcional da área plantada. No Brasil, estes produtos foram inseridos no contexto da Revolução Verde, em um pacote tecnológico difundido como solução para resolver o problema da fome. Trata-se de produtos químicos intrinsecamente tóxicos, com conhecido impacto potencial na saúde pela exposição a fontes indiretas, incluindo exposições alimentares (água potável e alimentos) e não-alimentares (poeira, respiração, chuva) e as fontes diretas durante o trabalho rural no preparo e administração destes produtos. O uso massivo de agrotóxicos a longo prazo em áreas de agricultura intensiva pode levar à contaminação ambiental, assim, a proximidade de residências em terras cultivadas tratadas com agrotóxicos é apresentada como uma importante via de exposição aos agrotóxicos, com consequente impacto a saúde humana. O câncer configura-se como um grande problema de saúde pública tanto nos países desenvolvidos como nos países em desenvolvimento. No Brasil, a distribuição dos diferentes tipos de câncer sugere uma transição epidemiológica em andamento. Estima-se, para o Brasil, biênio 2018-2019, a ocorrência de 600 mil casos novos de câncer, para cada ano. Desta forma, objetiva-se realizar, por meio da bibliografia existente, um estudo sobre a exposição aos agrotóxicos e o câncer. Trata-se de uma revisão com levantamento bibliográfico no portal de periódicos da CAPES no período de 2009 a 2018, utilizando as palavras-chave agrotóxicos, câncer e saúde coletiva. Outrossim, este trabalho é parte integrante da revisão de literatura de uma dissertação de mestrado. A exposição humana e ambiental aos agrotóxicos são consequências do modelo agrícola em que os trabalhadores rurais representam o grupo de maior risco de exposição aos agrotóxicos, pelo contato direto com esses produtos. Destacam-se os grupos de agrotóxicos como os organoclorados, organofosforados, carbamatos e piretróides, são classificados como prováveis ​​ou possíveis causadores de efeitos carcinogênicos, de acordo com a classificação da International Agency for Research on Cancer – IARC, enquanto vários outros são reconhecidos como carcinógenos em humanos. Desta forma, os agrotóxicos podem agir como carcinógeno completo, iniciadores tumorais, promotores tumorais e mutagênicos. No caso de contato direto os agrotóxicos solúveis em água são rapidamente absorvidos através da pele intacta, as exposições ocupacionais ocorrem na mistura e carregamento de equipamentos e na pulverização e aplicação de inseticidas. O contato indireto a estes produtos pode ocorrer pela via respiratória, nos pulmões a absorção de partículas menores (5 µm de diâmetro) é absorvida de forma eficaz em formas de vapores ou aerossóis. Outra forma de contato indireto aos agrotóxicos é ocasionada pela ingestão regular de resíduos de pesticidas nos alimentos, que apresenta considerável dificuldade na detecção e quantificação destes produtos. Neste sentido, estudos analíticos, epidemiológicos e ecológicos são necessários para investigar a associação entre a exposição a agrotóxicos e a ocorrência de câncer.


Palavras-chave


Câncer; Agrotóxico; Saúde Coletiva.

Referências


PIGNATI, WA et al. Distribuição espacial do uso de agrotóxicos no Brasil: uma ferramenta para a Vigilância em Saúde. Ciência & Saúde Coletiva, 22(10):3281-3293, 2017.

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