Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, X Mostra da Pós-Graduação: Direitos Humanos, trabalho coletivo e redes de pesquisa na Pós Graduação

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ATITUDES DE ENFERMEIROS PARA O CUIDADO FRENTE À MORTE: ADAPTAÇÃO CULTURAL E VALIDAÇÃO DA FROMMELT ATTITUDE TOWARD CARE OF THE DYING SCALE
Janderléia Valéria Dolina, Christine Baccarat de Godoy

Última alteração: 03-10-18

Resumo


INTRODUÇÃO: Dentre as inúmeras incertezas que permeiam a vida, faz-se presente uma única grande certeza, a de que ela terá fim. Morrer é um processo biológico natural inevitável. A compreensão desse processo é construída socialmente assumindo diferentes representações ao longo da história. Transformações na vida cultural e intelectual foram acompanhadas por mudanças na maneira como as pessoas se relacionam com a morte. Na sociedade atual, a morte é negada e sua maioria, acontece dentro das instituições hospitalares. Os enfermeiros, via de regra, são os profissionais mais próximos do paciente e que assumem o cuidado diuturno. Cuidar de um paciente que está próximo da morte ou vivenciar a morte de um paciente pode gerar inúmeros sentimentos, entre eles, frustração, fracasso, impotência e dor. Estudos (Hayasida et al., 2014; Dell'acqua, Tome, e Popim, 2013) apontam a ausência de disciplinas específicas sobre o tema nos currículos das faculdades. Entende-se que há necessidade de profissionais treinados e que desempenhem habilidades específicas para lidar com a morte e concorda-se que estes seriam capazes de oferecer um cuidado de maior qualidade. Um melhor cuidado é diretamente influenciado pelas atitudes dos enfermeiros diante da morte, por isso, seria relevante conhecer essas atitudes. Para tanto, inúmeros instrumentos tem sido utilizados ao redor do mundo, entre eles a Frommelt Attitude Toward the Care of the Dying scale (FATCOD) (Frommelt, 1991), escala desenvolvia por uma enfermeira norte-americana e testada em população de enfermeiros em diversos países. No entanto, a FATCOD ainda não foi traduzida e nem testada em população brasileira. O conhecimento sobre as “disposições pessoais” – atitudes- através da escala pode representar uma importante ferramenta para desenvolver programas de treinamento e possibilitar a oferta de um cuidado efetivo. OBJETIVO: Realizar a adaptação cultural e validação da Frommelt Attitude Toward the Care of the Dying Scale (FATCOD) para a cultura brasileira em uma população de enfermeiros. MÉTODO: Estudo quantitativo que será desenvolvido seguindo a proposta da European Organisation for Research and Treatment of Cancer (EORTC) (DEWOLF et al., 2009), composto pelas seguintes etapas: 1- Tradução; 2- Adaptação ou pré-teste (validação semântica) 3- Validação (análise das propriedades psicométricas). Os dados serão processados e analisados através do SPSS, versão 16.0 para windows 7.0. O estudo tem autorização da autora do instrumento para sua adaptação e validação, será submetido ao comitê de ética em pesquisa e seguirá a Resolução 466/12 do Conselho Nacional de Saúde. RESULTADOS ESPERADOS: Espera-se que a FATCOD obtenha bons resultados psicométricos e que com isso possa ser utilizada na cultura brasileira. A adaptação transcultural e a validação desta escala poderá contribuir significativamente para a melhoria do cuidado ofertado às pessoas em final de vida e possibilitará, futuramente, auxiliar na criação de programas de educação que possam fornecer conhecimento adequado, habilidades e desenvolvimento de atitudes que resultaria em profissionais capacitados e confiantes para produzir um melhor cuidado.


Palavras-chave


Atitude frente à morte; Cuidado terminal; Psicometria; Cuidado de enfermagem

Referências


1-     Hayasida, M.N.A. et al;  ré Maria de Albuquerque. Morte e luto: competências dos profissionais.    Revista Brasileira de Terapias Cognitivas. 2014. 10(2):112-121

2-     Dell’Acqua M.C.Q.; Tome. L.Y.; Popim, R.C. O processo de trabalho em urgência e emergência em interface com a morte. Rev Rene. 2013; 14(6):1149-59.

3-     Frommelt, K.H.: Attitudes toward care of the terminally ill: an educational intervention. American Journal of Palliative CARE. 1991. 20(1):13-22.

4-     Dewolf, L. et al. EORTC Quality of Life Group (2009). EORTC Quality of Life Group translation procedure. (3rd ed.) Brussels, Belgium: EORTC Quality of Life Group.