Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, X Mostra da Pós-Graduação: Direitos Humanos, trabalho coletivo e redes de pesquisa na Pós Graduação

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APRENDIZAGEM E INDISCIPLINA: INTERFERÊNCIA DE VOZES SILENCIOSAS CONTRA A AVALIAÇÃO NUMÉRICA
ROSEMARY PINTO DE ARRUDA G GONÇALVES

Última alteração: 18-10-18

Resumo


Este trabalho explicita que a escola é uma superestrutura, e o aluno não se vê representado por ela e nem nela, mas   o/a professor/a, com base no conceito de exotopia, nesse sair de si e ir ao outro, torna-se outro/a; com novos pensares e aprendizagem. Com esse empoderamento do outro, pode-se buscar esse outro, o aluno, dessa infraestrutura e trazê-lo para a superestrutura. Em razão disso, esta pesquisa objetiva uma proposta didático-metodológica para promover a apropriação da leitura e escrita no ensino de Língua Portuguesa, ancorando-se na teoria dos gêneros discursivos, de viés bakhtiniano (1952-53). Especificamente, propõe a leitura do gênero conto literário para o 1º ano do Ensino Médio da Escola Estadual Presidente Médici em Cuiabá/MT. Para se obter uma progressão dessa aprendizagem, sugerimos fundamentar teoricamente o trabalho com a concepção sobre a linguagem como interação entre um “eu e um outro” socialmente organizados, ou seja, trazer  a língua e/ou linguagem em consonância com Bakhtin e Vygotsky. A partir dessas abordagens, traremos alguns conceitos como discurso, ideologia do cotidiano e oficial, compreensão ativa, interação, alteridade, exotopia, vozes, Zona de Desenvolvimento Proximal e par avançado, representando, metaforicamente, como “velas ao mar” para a condução da pesquisa e de categoria de análise dos dados coletados. O objeto desta   pesquisa será observado como um sujeito falante e pensante, por isso, tratado como se prevê em a Metodologia das Ciências Humanas (BAKHTIN, 2006).  Para a organização das atividades didático-pedagógicas, nos servimos de pesquisa-ação à luz de Thiollent (1986); utilizamos de algumas estratégias de sondagem, no primeiro contato com os alunos, de maneira simples e interativa, observando a capacidade de leitura e de escrita. Servimo-nos do gênero discursivo “classificado” e entabulamos algumas perguntas sobre a finalidade e o objeto ali negociado. Sequencialmente, propusemos que produzissem uma paráfrase do mesmo gênero. Com o resultado dessa observação, pudemos inferir que as produções escritas dos alunos estão aprisionadas ao seu território e à sua cultura familiar e social e isso interfere no processo de aprendizagem, no âmbito da gramática, do discurso e da linguística. Destacamos o aspecto comportamental dos alunos, parecia que não haveria como ministrar as aulas, nem obter a reciprocidade na interação pessoal e com os conteúdos inerentes à leitura e à escrita, entretanto, de forma   interativa, dialógica e afetiva, ainda não obtivemos avanços maiores, mas pudemos observar mudança na relação comportamental com a professora e em relação à seriedade com o aprender.  Isso, indica que afetividade pode ser um dos aspectos à ressignificação de acordos de sentido, em razão do inacabamento do sujeito bakhtiniano, nessa simbiose, dos EUs, dos OUTROs e dos NÓS e através do processo atitudinais bakhtinianos relativos à interação e às relações dialógicas, e alteritária, realiza-se a constituição do eu, do outro e do nós, por conseguinte, estimula-se a motivação,  desperta o desejo e  interesse pela aprendizagem, que ultrapassa a condição dela para além da escala numérica, em  avaliação quantitativa, fato este que desperta o grito do anjo adormecido, manifestado  pela “indisciplina”.


Palavras-chave


APRENDIZAGEM; INDISCIPLINA; AVALIAÇÃO NUMÉRICA

Referências


BAKHTIN, M. M. (VOLOCHINOV). [1929] 2006. Marxismo e Filosofia da Linguagem. São Paulo: Ed. Hucitec.

BAKHTIN, M. M. [1952-1953] 2006 Os Gêneros do discurso. In: Estética da criação verbal. São Paulo: Martins Fontes, p. 261.

BAKHTIN, M. M. 2006  Metodologia de Ciências Humanas. In: Estética da criação verbal. São Paulo: Martins Fontes, p. 261.

 

THIOLLENT, M. 1986.  Metodologia da pesquisa-ação. São Paulo: Cortez

VYGOTSKY, L. [1930] 1991. A formação social da mente. São Paulo – SP: Livraria Martins Fontes Editora Ltda. p. 117 – 118.