Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, X Mostra da Pós-Graduação: Direitos Humanos, trabalho coletivo e redes de pesquisa na Pós Graduação

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TERRITORIALIDADE DE Cercomacra melanaria (Thamnophilidae) NO PANTANAL DE POCONÉ, MATO GROSSO
Mayara Zucchetto, Bianca Bernadon, João Batista de Pinho

Última alteração: 25-10-18

Resumo


Território pode ser definido como a área em que o animal defende de forma constante. Essa defesa pode ser intraespecífica ou interespecífica. O território é usado para a obtenção de itens essenciais para a sobrevivência dos indivíduos que nele habitam. O comportamento territorial em aves tem funções associadas a alimentação, proteção do parceiro sexual e dos filhotes, estímulo a dispersão dos filhotes e locais seguros para nidificação. O tamanho do território é um importante atributo ecológico o qual determina a densidade da população, afeta os sistemas de reprodução e distribuição de possíveis predadores ou invasores. Cercomacra melanaria é uma espécie de pequeno porte (16,5cm) e insetívora. Sua distribuição abrange as áreas alagadas do oeste do Mato Grosso do Sul e sul do Mato Grosso, embora já tenha sido registrada no centro-leste da Bolívia e no extremo norte do Paraguai. São particularmente mais numerosos na região do Pantanal, onde ocupam arbustos de matas de galeria, matas secas e bosques pantanosos geralmente próximos à água. C. melanaria exibe comportamento territorialista através de vocalizações de alerta e eventualmente por ataques diretos quando invasores adentram em seu território. Neste estudo foram avaliados os aspectos da distribuição espacial da espécie como o tamanho do território e relações interespecíficas e intraespecíficas. A área de estudo está localizada em uma região inundável da Fazenda Retiro Novo, Pantanal de Poconé, Mato Grosso, com amostragens no período de janeiro a agosto, ao longo do dia e mais concentradas no período da manhã. Cada indivíduo foi marcado com anilhas metálicas cedidas pelo CEMAVE e receberam uma combinação única de três anilhas plásticas coloridas para individualização de cada espécime, possibilitando assim a identificação individual através de observações à distância com binóculos. O deslocamento dos indivíduos foi registrado marcando no GPS os pontos em que foram visualizados. Para calcular o tamanho dos territórios delimitados, utilizou-se o método do polígono convexo no programa MapSource. Foram identificados e marcados os territórios de 14 casais de C. melanaria, sendo 12 territórios considerados estabilizados. Os territórios variaram de 0,07 a 1,43 ha, com média de 0,33 ± 0,37 ha. Tanto macho quanto fêmea participam da defesa do território, durante o ano todo. Interações agressivas foram em sua maioria intraespecíficas e raramente interespecíficas. Foram comuns os registros de disputas vocais de duetos entre casais nas bordas dos territórios, a maioria sem confronto físico. Porém em alguns casos foi possível registrar ataques físicos em voo entre machos vizinhos. Os confrontos interespecíficos foram registrados com Synallaxis albilora e Taraba major. Quando essas espécies invadiam o território de C. melanaria, houve vocalizações de alerta e até alguns ataques físicos. Em algumas ocasiões específicas com T. major, foi observada a presença de formigas de correição passando pelo substrato, evidenciando uma possível competição por alimento. Durante a época de cheia os casais continuaram em seus territórios, porem forrageavam nos estratos superiores da vegetação. Estudos que analisem o tamanho de territórios são essenciais, pois dados como estes auxiliam nos planos de conservação de ambientes naturais e consequentemente das espécies que ali habitam.


Palavras-chave


territorialidade, thamnophilídeo, comportamento agonístico.