Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, X Mostra da Pós-Graduação: Direitos Humanos, trabalho coletivo e redes de pesquisa na Pós Graduação

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DEPRESSÃO APÓS O NASCIMENTO DO FILHO: PESQUISA INTERVENÇÃO COM CASAIS VULNERAVEIS AO ADOECIMENTO
Lohaine da Souza da Silva, Rosa Lúcia Rocha Ribeiro, Maria Aparecida Rodrigues da Silva Barbosa

Última alteração: 03-10-18

Resumo


A depressão tem se tornado um problema de saúde pública para a maioria dos países do mundo. Nos anos 2005 a 2010 houve um aumento de 18% dos casos, havendo no mundo, atualmente, 322 milhões de pessoas sofrendo desse mal. No Brasil, 5,8% da população é acometida por esse transtorno, sendo o país de maior prevalência no mundo. A depressão materna após o nascimento do filho vem sendo estudada em todo o mundo nos últimos anos. No entanto, estudiosos vêm afirmando que a depressão nesse período pode afetar também os homens pais. Em estudo realizado no Brasil em 2006, identificou-se a depressão em 26,3% das mães e 11,9% dos pais. A depressão em um dos membros do casal é considerada um forte fator de risco para o adoecimento do companheiro por depressão. Nos homens, se a parceira sofre dessa patologia, a prevalência pode ser tão alta quanto nas mães, chegando de 24% a 50%. Outros fatores de risco importantes relacionam-se a: históricos de alcoolismo na família, violência física, violência sexual, depressão, outros problemas psicológicos anteriores ou durante a gestação, tratamento para infertilidade, assim como eventos estressantes na gravidez, sobrecarga física e psíquica, amamentação ineficaz, insatisfação conjugal, falta de apoio social e familiar, dificuldades financeiras,  desemprego, ambientes e relacionamentos interpessoais conflitantes, além de baixa qualidade do atendimento durante o parto.  Considerando os referidos fatores predeterminantes e de vulnerabilidade à depressão em casais, pretende-se desenvolver uma pesquisa intervenção com casais identificados com os mesmos, com a finalidade de prevenir o seu adoecimento. O projeto de pesquisa ainda está em construção e se constituirá em dissertação de mestrado vinculado ao Programa de Pós-graduação em Enfermagem da Universidade Federal de Mato Grosso. Pretende-se selecionar casais que vivenciam uma gestação inicial (até o 3° trimestre) e que, através da avaliação de enfermagem   sejam identificados fatores predeterminantes à depressão puerperal. A esses casais será proporcionado a participação em atividades de grupo em que serão abordados temas que auxiliam no preparo da maternidade/paternidade, baseado nas evidências científicas que definem os fatores protetores para a depressão puerperal. Após o 3° mês de puerpério será aplicada ao casal a Escala de Edimburgo de depressão pós-parto (EPDS) e será avaliado os níveis de sintomatologia depressiva nessa população.


Palavras-chave


depressão pós-natal, paternidade, maternidade, relacionamento familiar

Referências


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