Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, X Mostra da Pós-Graduação: Direitos Humanos, trabalho coletivo e redes de pesquisa na Pós Graduação

Tamanho da fonte: 
TERRITÓRIOS EXISTENCIAIS: CONSTITUIÇÃO DE IDENTIDADE E PERFOMANCES DE GÊNERO A PARTIR DA PROSTITUIÇÃO NA BAIXADA CUIABANA
Haydeé Tainá Schuster

Última alteração: 22-10-18

Resumo


: O Zero é um território conhecido na baixada cuiabana por ser uma grande mancha (MAGNANI, 2002) na paisagem urbana que recebe diariamente dezenas de mulheres cisgêneros e travestis que se prostituem na região, além dos clientes que passam por ali em todos os momentos do dia. Percebendo as singularidades que envolvem esse espaço, como o fato de haver prostituição em todo momento do dia, não somente no período noturno, essa pesquisa teve como objetivo etnografar os pontos de prostituição do Zero, com enfoque na construção da performance de gênero a partir da territorialização, estabelecendo as redes de sociabilidades que envolvem as travestis e as divisões de espaço e acordos de comportamento entre travestis, gays e mulheres cisgênero. As redes consideradas foram tanto as que se estabelecem dentro do Zero, que inclui a dona da pensão em que moram, as travestis que ficam na rua das Tops, as travestis e as bichas/gays, os clientes e os motéis, quanto as redes que se formam fora do Zero: os familiares, pessoas do movimento LGBT na cidade e os agentes que representam o Estado. Essas noções de quais pessoas e instituições constituem as redes, que por sua vez são categorizadas como o mundo de dentro e o mundo de fora respectivamente, são importantes para compreensão do assunto mais recorrente durante a pesquisa: a violência e a transfobia. Para as interlocutoras, o mundo de dentro, apesar de ser hostil e agressivo não representa violência ou transfobia, já o mundo de fora, que é representado por homens que vão até o Zero, em sua maioria estariam ligados à violência. Como estratégia de enfrentamento e proteção a esses perigos, desenvolveram mecanismos como a linguagem do Pajubá, o deboche, regras de negociação de programa, uso do motel como intermediador e o pagamento de porcentagem para descer no ponto para que em contrapartida, o território seja vigiado e organizado constantemente. Outro enfoque da pesquisa, é a participação em Conselhos Municipais, em Organizações não governamentais, e a micropolítica estabelecida entre elas. Por fim, essa pesquisa contribui para compreensão de que o território de prostituição oferece em alguma medida segurança e organização, juntamente com a possibilidade de criação de vínculos que servem como estratégia de segurança e de sociabilidades.


Palavras-chave


Antropologia Urbana, Performance de gênero; Prostituição

Referências


MAGNANI, José Guilherme Cantor. De perto e de dentro: notas para uma etnografia urbana. In: Revista Brasileira de Ciências Sociais, vol. 17, n.49, 2002, p. 11-29.