Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, X Mostra da Pós-Graduação: Direitos Humanos, trabalho coletivo e redes de pesquisa na Pós Graduação

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CONCEPÇÕES DE INFÂNCIA NO ENSINO DE PSICOLOGIA: UMA ANÁLISE AFROPERSPECTIVISTA
Ariane Silva

Última alteração: 20-10-18

Resumo


A problemática do racismo na sociedade brasileira se desvela como um problema estrutural que afeta todos os setores sociais, inclusive, o sistema educacional. A população estudantil que enfrenta os maiores índices de evasão e de baixo rendimento escolar é composta majoritariamente por afro-descendentes. Práticas de supressão dos povos oprimidos no período colonial são heranças que culminam no cenário de desigualdades educacionais da atualidade desde nível básico ao superior. A partir dessas evidências, questiono se as pesquisas em Psicologia admitem e problematizam as relações de dominação racial em seu cânone científico nos estudos sobre infância. Para tanto, será realizado um estado do conhecimento sobre a temática privilegiando os manuais de Psicologia do Desenvolvimento. O caráter bibliográfico da pesquisa visa investigar quais concepções ontológicas de infância tem sido tratado nas bases epistemológicas destes estudos a partir de uma análise afroperspectivista. Essa pesquisa visa ampliar possíveis caminhos e problemáticas que perpassam na aplicação da Lei nº 10.639/2003 pelo Parecer CNE/CP nº 3/2004 e pela Resolução CNECP nº 1/2004, que versam sobre as diretrizes curriculares para a educação das relações étnico-raciais e para o ensino de história e cultura afro-brasileira e africana, e da Lei 11.645/2008, que estabelece as Diretrizes e Bases da Educação Nacional para incluir no currículo oficial da rede de ensino a obrigatoriedade da temática “História e cultura afro-brasileira e indígena”. Os manuais de Psicologia servem como base de orientação curricular para os estudos sobre infância e educação. Os currículos pedagógicos são baseados em realidades históricas e perspectivas políticas, deste modo, promovem a manutenção da educação como sistema ideológico. A prática profissional não é dissociada de sua formação, constituindo, assim, a práxis do ensino. Investigar as narrativas dos manuais de Psicologia é, portanto, investigar as práticas sociais e suas relações de poder que operam nesse campo. Ao privilegiar determinadas perspectivas de conhecimento em sua base, os manuais servem como instrumento de manutenção e reprodução de relações de dominação como raça, classe e gênero. Portanto, identificar quais classes de dominação operam na lógica epistêmica de tais produções se configura como passo fundamental para problematizar e alterar realidades que são validadas e invalidadas neste processo.

 


Palavras-chave


racismo; infância; psicologia.