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RELAÇÃO ASPARTATO AMINOTRANSFERASE/PLAQUETAS EM PACIENTES COM MALÁRIA AGUDA POR Plasmodium vivax
Karla de Feminino Guedes, Cor Jesus Fernandes Fontes

Última alteração: 02-10-18

Resumo


Várias alterações fisiopatológicas podem favorecer á gravidade da malária e causar milhões de mortes anualmente no mundo. Alterações metabólicas e hematológicas são complicações comuns, quando o agente causador é o P. falciparum. O P. vivax, classicamente associado à doença benigna, vem apresentando evolução grave e fatal nos últimos anos, devido principalmente à alterações bioquímicas e hematológicas nos pacientes durante a fase aguda. O objetivo do presente estudo foi descrever as características demográficas, clínicas e de exposição à transmissão, entre pacientes com infecção aguda por Plasmodium vivax e avaliar um marcador bioquímico-hematológico associado à sinais de potencial gravidade da doença. Trata-se de estudo retrospectivo transversal, no qual foram incluídos 130 pacientes entre junho/2006 a janeiro/2018, os quais tiveram o diagnóstico de malária confirmado por exame microscópico. Os dados clínico-epidemiológicos foram coletados com base em anamnese e entrevista e os parâmetros hematológicos e bioquímicos foram avaliados em equipamentos específicos e automatizados. Para a classificação de potencial gravidade da malária, foram utilizados os critérios estabelecidos pela OMS para malária grave por P. falciparum, com adaptação, quais sejam creatinina>1,5mg/dL, temperatura axial>40°C, dispneia, alteração mental, parasitemia>20.000/mm3, hemoglobina<7 mg/dL, hematócrito<20%. O marcador inflamatório de gravidade escolhido foi a razão aspartato-aminotransferase/plaquetas, conhecido como índice APRI (AST to platelet ratio), que é um índice utilizado como indicador de fibrose hepática em diferentes hepatopatias e associado com inflamação em algumas doenças infecciosas. Seu cálculo é feito pela divisão do valor da AST em U/L pelo número de plaquetas/mm3. Dos 130 pacientes avaliados, 19 (14,6%) possuíam um ou mais dos sinais e sintomas indicadores de gravidade da malária. A média (DP) do APRI entre os pacientes com e sem gravidade foram, respectivamente, 2,11 e 1,09, sendo a diferença estatisticamente significante (0,044 – teste de Man-Whitney). Entre os pacientes com sinais de gravidade, a proporção com valores de APRI superiores a 1,5 U/L foi de 30%, superior aos 10% de APRI alta entre aquele sem sinais de gravidade (p=0,007). Esses resultados sugerem que a razão AST/plaquetas (APRI) está elevada entre pacientes com evidência de potencial gravidade da infecção por P.vivax, podendo servir como possível marcador diagnóstico da gravidade ou prognóstico, durante e após o tratamento antimalárico. Estudos adicionais, com metodologia apropriada, serão necessários para esclarecer essa associação.



Palavras-chave


malária, Plasmodium vivax; marcador de gravidade

Referências


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