Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, X Mostra da Pós-Graduação: Direitos Humanos, trabalho coletivo e redes de pesquisa na Pós Graduação

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Caracterização da proteína hemaglutinina do Vírus da Cinomose canina em cães naturalmente infectados nos Estados de Mato Grosso e Rondônia.
MAYARA Lima Kavasaki

Última alteração: 24-10-18

Resumo


A Cinomose Canina é uma doença infecto-contagiosa causada pelo vírus da Cinomose Canina (CDV). A doença possui grande importância não só no Brasil como no mundo, devido principalmente a sua vasta ocorrência, forma de transmissão e morbidade. Pertence a família Paramyxoviridae, gênero Morbilivirus, em cães causa uma doença com sinais clínicos multissistêmicos, variando desde sinais entéricos, respiratórios, neurológicos, oftalmológicos e dermatológico, com alto coeficiente de morbidade e mortalidade.  A doença pode afetar animais das famílias Canidae, Mustelidae, Ursidae, Tayassuidae, Cercopithe. O diagnóstico de rotina da Cinomose é realizado com base no histórico do animal, sinais clínicos e nos exames complementares, através de métodos diretos como isolamento e detecção do vírus e seus produtos e indiretos que detectam e quantificam anticorpos virais específicos. A glicoproteína H determina a citopatologia e tropismo do vírus, podendo variar em até 10% entre isolados de CDV. Devido essas variação as amostras virais foram classificadas filogeneticamente em nove linhagens denominadas América I, América II, Ásia I, Ásia II, Europa vida selvagem, Ártica, África do sul, América do Sul I/Europa e América do Sul II. Análises filogenéticas vem revelando que as estirpes de CDV brasileiras circulantes são América do Sul I/Europa, que estão geneticamente relacionadas as estirpes circulantes no Uruguai, Argentina e Europa. O grau de divergência genética entre linhagens selvagens de CDV brasileiras e as estirpes vacinais podem sugerir possibilidades de falhas vacinais e ocorrência de surtos da doença. Diante do exposto, este projeto tem por objetivo caracterizar a proteína hemaglutinina em CDV de cães naturalmente infectados nos Estados de Mato Grosso e Rondônia, no período de 2018 a 2019. Tais informações podem ser úteis para subsidiar o direcionamento das ações epidemiológicas e medidas de controle voltadas a doença em questão, bem como determinar o grau de variação antigênica dentro dessa população. O estudo será composto por um total de vinte amostras de tecido nervoso central (cérebro, especificamente cerebelo e medula oblonga seccionada após os colículos caudais até início da medula vertebral) pós mortem, coletadas entre os anos de 2018 e 2019, selecionadas por amostragem de conveniência. As amostras serão coletadas de animais positivos para o CDV atendidos no Hospital Veterinário da UFMT, e em clínicas veterinárias de cidades do interior de Mato Grosso e de Rondônia. Após extração do material o vírus será isolado em células de linhagem VERO e MDCK, padronizado através da reação em Cadeia pela Polimerase a partir da Transcriptase Reversa do gene H (RT-PCR; Reverse Transcriptase Polymerase Chain Reaction) para detecção do CDV. O gene H será caracterizado por sequenciamento de nucleotídeos, comparando-os entre si e com outras sequências disponíveis no GenBank.


Palavras-chave


Palavras-chave: Vírus da Cinomose canina, Gene da Hemaglutinina, RT-PCR, Análise filogenética.

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