Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, X Mostra da Pós-Graduação: Direitos Humanos, trabalho coletivo e redes de pesquisa na Pós Graduação

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POLÍTICAS NACIONAIS PARA OCUPAÇÃO TERRITORIAL DE MATO GROSSO E A CASA COMERCIAL ALMEIDA & CIA (1870-1930).
Virginia Maria Castro de Almeida

Última alteração: 03-09-19

Resumo


 

Virgínia Maria Castro de Almeida[1]

Prof. Dr. José Manuel Carvalho Marta[2]

RESUMO

O objetivo do artigo é promover uma reflexão historiográfica sobre políticas nacionais implementadas na segunda metade do século XIX e primeira metade do século XX, que tinham como meta a ocupação territorial de regiões chamadas de “vazios demográficos.” Este era o caso da Província e depois Estado de Mato Grosso, devido a um improvável “isolamento” e o interesse na sua inserção no capitalismo. Nesse sentido, a política do Império baseou-se em Tratados e leis como: a lei de Terras nº 601/1850; a lei Eusébio de Queiróz nº 581/1850; o Código Comercial nº 556/1850; o Tratado de Amizade, Comércio e Navegação entre o Brasil e o Paraguai; o Tratado de Amizade, Limites, Navegação, Comércio e Extradição com a Bolívia (1867-1899); e o Decreto nº 4.388/1869, que propiciava a isenção de impostos para as casas comerciais. Nesse contexto, 76 casas comerciais se instalaram no 2º distrito do Porto, na capital da Província, Cuiabá, dentre estas a Casa Comercial Almeida & Cia, a única oriunda da elite do norte de Mato Grosso. Tratava-se de uma empresa familiar, proprietária de oito empreendimentos rurais e urbanos que atenderam aos mercados interno e externo, negando a tese do isolamento. São alguns dos seus empreendimentos: Usina Itaici (ou Itacy), Representação do Banco do Brasil e o The London & River Plate Bank Limited, Exportadora e Importadora, Embarcações e Vapor, Seguradora, Empresa Urbana de Bondes, Cervejaria Cuyabana e o Porto Almeida. Gerou emprego, renda e inclusão social embora o desenvolvimento em Cuiabá não tenha ocorrido em sua plenitude, entretanto, houve benefícios para seus proprietários na forma de acumulação de rendas e terras. Observou-se ser a empresa atendida pelo projeto político e econômico do sistema vigente para as regiões periféricas, entendidos posteriormente pela análise da CEPAL considerando a Divisão Internacional do Trabalho (DIT) cujo papel de exportador de matéria-prima e importador de produtos manufaturados se constituiu em uma troca desigual.

 

Palavras chave: Política; Ocupação Territorial; História de Empresas.

 

 

 

 

 

 

 


[1] Mestranda do Programa de Pós-Graduação em História na Universidade Federal de Mato Grosso. Linha de Pesquisa: 1. E-mail: virginiamca@yahoo.com.br.

[2] Orientador; Professor do PPHIS da UFMT; Pesquisador Visitante Sênior (PVS) FAPERO-CAPES e contratado da UNIR. Aposentado da FE e do Mestrado em Agronegócios e Desenvolvimento Regional da UFMT


Palavras-chave


Política; Ocupação Territorial; História de Empresas.

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