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REVISÃO PETROGRÁFICA DA SUITE SANTA RITA - TERRENO RIO ALEGRE, SW DO CRÁTON AMAZÔNICO
Davi Brustolin Sperandio, Amarildo Salina Ruiz, Maria Zélia Aguiar de Souza

Última alteração: 26-10-18

Resumo


INTRODUÇÃO

Segundo Tassinari & Macambira (2004) e Ruiz (2009), o sudoeste do Cráton Amazônico é composto pelas províncias Rondoniana San Ignácio e Sunsás-Aguapeí. A Província Rondoniana San Ignácio é composta pelos terrenos Jauru (1,78 a 1,42 Ga), Paraguá (1,74 a 1,32 Ga), Rio Alegre (1,51 a 1,38 Ga) e a Faixa Alto Guaporé (<1,42 a 1,34 Ga).

O Terreno Rio Alegre segundo Ruiz et al., (subm. folha Santa Bárbara), corresponde a um fragmento crustal situado entre os Terrenos Paraguá e Jauru, constituído por uma associação metavulcano-sedimentar (Grupo Rio Alegre), com idades U-Pb em torno de 1510 a 1500 Ma, Complexos máfico-ultramáficos e intrusivas intermediárias a ácidas (Suíte Intrusiva Santa Rita) com idade U-Pb entre 1440 a 1384 Ma.

Este trabalho tem como finalidade apresentar uma revisão petrográfica dos corpos graníticos pertencentes a Suíte Intrusiva Santa Rita, de forma a compreender sua evolução magmática.

RESULTADOS

De acordo com a revisão petrográfica da Suíte Intrusiva Santa Rita, há treze intrusões graníticas, que apresentam diferentes composições químicas, representando um trend de evolução magmática, partindo da menos evoluída temos, Diorito Rio Aguapeí, Diorito São José, Tonalito Rio Do Cágado, Tonalito Furna, Tonalito Pau-A-Pique, Tonalito Lavrinha e Granodiorito Rio Alegre. No geral apresentam cor cinza esverdeada a cinza escura, pronunciada foliação tectônica, com exceção do Tonalito Pau-A-Pique e Tonalito Lavrinha, que em algumas porções a foliação se apresenta de forma incipiente. A composição mineralógica essencial dessas intrusões é representada por plagioclásios cálcicos, anfibólios e biotitas. Os minerais de alteração presentes são a sericita, clorita e o epidoto.

Seguindo o trend de evolução há os granitos Vila Bela, Santa Maria e o Encantada, composicionalmente variam de granodioritos a monzogranitos, com exceção do Granito Encantada que apresenta também uma fácies sienogranítica. Essas intrusões são caracterizadas por rochas leucocráticas, isotrópicas a intensamente foliadas, apresentam textura inequigranular a hipidiomórfica coloração rosa a rósea acinzentada e mineralogicamente são constituídas por feldspato potássico, quartzo, plagioclásio, biotita e muscovita. Podem apresentar uma xistosidade definida por biotita, muscovita e agregados recristalizados de quartzo e plagioclásio.

Por fim, ocorrem os granitos Carrapato, Barra Mansa e Maraboa, caracterizados como sienogranitos. São rochas leucocráticas, variando de rosa a cinza rosado, apresentam discreta a nenhuma foliação tectônica. A mineralogia principal desses corpos, no geral, é representada pelo feldspato alcalino, plagioclásio, quartzo e biotita. O plagioclásio exibe-se comumente alterado para epidoto e sericita.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A Orogenia Rio Alegre é descrita pela interação de arcos de ilhas intraoceânicos, responsável pelo consumo da litosfera oceânica em ambiente convergente, interpretada como o produto magmático vinculado ao consumo litosférico do Terreno Rio Apa (Matos et al., 2004; Ruiz, 2005).

A Suíte Santa Rita representa a evolução magmática da Orogenia Rio Alegre, onde se tem os corpos menos evoluídos, representados pelos granitos de composição tonalíticas a granodioríticas e os corpos mais evoluídos, representados pelos sienogranitos. Além desta relação de composição, observar-se que por estarem no início do estágio orogênico, comumente as rochas menos evoluídas exibem intensa foliação.


 


Palavras-chave


Terreno Rio Alegre; Suíte Intrusiva Rio Alegre

Referências


MATOS, J.B., SCHORSCHER, J.H.D., GERALDES, M.C., SOUSA, M.Z.A., RUIZ, A.S. 2004. Petrografia, geoquímica e geocronologia das rochas do Orógeno Rio Alegre, Mato Grosso: um registro de crosta oceânica Mesoproterozóica no SW do Cráton Amazônico. Geologia USP – Série Científica, 4: 75 – 90.

RUIZ, A. S. 2005. Evolução Geológica do Sudoeste do Cráton Amazônico Região Limítrofe Brasil-Bolívia-Mato Grosso. UNESP. Rio Claro, SP. Tese de Doutoramento, 260 p.

RUIZ, A. S. 2009. Compartimentação Tectônica (Pré-Sunsás) do SW do Cráton Amazônico: ênfase em Mato Grosso – Brasil. In: Congreso Geológico Boliviano, 18, Actas, p.159-163.

RUIZ, A. S. ; LIMA, G. A. ; COSTA, P. C. C. ; SOUSA, M. Z. A. ; MATOS, J. B. ; BATATA, M. E. F. ; CAMPOS, F. A. P. ; NOGUEIRA, S. F. ; ARAUJO, D. ; FERNANDES, K. G. ; MARIANO, H. A. C. ; COSTA, J. T. . SD-20.Z.B.III - Carta Geológica da folha Betânia - UFMT. 2013.

TASSINARI, C.G.C., MACAMBIRA, M.J.B. 2004. A evolução tectônica do Cráton Amazônico. In: Geologia do continente sul-americano: evolução da obra de Fernando Flávio Marques de Almeida. Org. Neto-Mantesso, V., Bartorelli, A, Carneiro, C. D. R., Brito-Neves, B.B. de B., p. 471-486.