Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, X Mostra da Pós-Graduação: Direitos Humanos, trabalho coletivo e redes de pesquisa na Pós Graduação

Tamanho da fonte: 
(Des) Mundo: Medicinas Tradicionais Indígenas, Biomedicina e o Estado Brasileiro
CLÁUDIA MARIA GUIMARÃES LOPES CASTRO, José Carlos Leite

Última alteração: 04-10-18

Resumo


Quando ocorre o confronto entre os campos das Medicinas Tradicionais Indígenas e da Biomedicina, mesmo no seu território, o Xamã (Pajé) e demais especialistas das Medicinas Tradicionais Indígenas estarão em profunda desvantagem na correlação de poderes com a equipe de saúde (médicos, enfermeiras, odontologos, etc.), legitimados através da Política Nacional de Atenção a Saúde dos Povos Indígenas promovida pelo  Estado Brasileiro; é nesse sentido que o “Mundo” das Medicinas Tradicionais Indígenas encontra-se ameaçado em sua reprodução material e imaterial. Este pesquisa de doutorado (Des) Mundo: Medicinas Tradicionais Indígenas, Biomedicina e o Estado Brasileiro, tem por objetivos: compreender as questões decolonias que estão postas na relação entre Medicinas Tradicionais Indígenas, Biomedicina e o Estado Brasileiro;  compreender como  a Colonialidade do Poder e do Saber operam no campo da Saúde Indígena, compreender como no Brasil se estruturou o chamado Indigenismo Oficial, analisar as Epistemes que constituem as racionalidades do Xamanismo e da  Biomedicina, como sistemas médicos que estão em concorrência no campo da saúde indígena, perceber quais as convergências e divergências entre estes sistema médicos, problematizar e analisar a Política Nacional de Atenção a Saúde dos Povos Indígenas Saúde em relação a seus discursos de atenção diferenciada e Interculturalidade, bem como analisar as narrativas dos pajés e dos demais especialistas das Medicinas Tradicionais Indígenas no que se refere a relação dos dois sistemas médicos. Utilizarei o conceito de colonialidade, vinculado ao de colonialismo, e que se refere a uma relação dominação e exploração das colônias, um sistema de dominação política formal de uma de sociedade sob a outra para compreender o confronto mencionado. Com o fim do colonialismo, restou a colonialidade e a relação que o Estado Brasileiro teve, e ainda tem em certa medida com os indígenas, perpassa por relação engendrada pela colonialidade. Portanto, lançarei mão da Teoria Crítica Decolonial em duas de suas modalidades - Colonialidade do Poder e do Saber - como teoria de base que atravessará o processo reflexivo da tese. Priorizarei o uso da pesquisa bibliográfica (livros, artigos), de documentos textuais, de entrevistas em jornais e revistas, de documentos oficiais bem como documentos audiovisuais e sonoros. Também lançarei mão de  documentários na forma de vídeos contendo entrevistas para analisar as narrativas dos pajés e demais especialistas das Medicinas Tradicionais Indígenas a respeito de suas práticas e da relação destas com a Biomedicina, bem como o discurso do Estado Brasileiro vem operando enquanto Política de Estado para o campo da saúde indígena. Utilizarei a Análise do Discurso, proposta por Eni Orlandi, para analisar os discursos e estratégias do Estado.


Palavras-chave


Medicinas Tradicionais Indígenas; Biomedicina; Colonialidade do Poder/Saber

Referências


BALLESTRIN, Luciana. América Latina e o giro decolonial. In. Revista Brasileira de Ciência Política, nº11. Brasília, maio - agosto de 2013.

GROSFOGUEL, Ramón. La Descolonización de la Economía Política y los Estudios Postcoloniales: Transmodernidad, pensamiento fronterizo y colonialidad global. In: Revista Tabula Rasa. Bogotá – Colombia, No. 4, enero-junio, 2006.

LANGDON, Jean Esther. Salud y Pueblos Indígenas: Los Desafios enel Cambio de Siglo. In Salud y Equidad: uma merada desde lãs ciências sociales. Rio de Janeiro: Editora FIOCRUZ, 2000.

_________.Problematizando os Projetos de Medicina tradicional Indígena. In. Medicina Tradicional Indígena em Contexto – Anais da I Reunião de Monitoramento, Projeto Vigisus II/FUNASA. Brasília: Fundação Nacional de Saúde, 2007.

MALDONADO-TORRES, Nelson. Sobre la Colonialidad del Ser: Contribuciones al Desarrollo de um Concepto. In  El giro Decolonial: reflexiones para uma diversidade epistémica más alla del capitalista global. Copiladores) Santiago Castro-Gómez e Ramón Grosfoguel. Bogotá: Siglodel Hombre Editores; Universidad Central, Instituto de Estudios Sociales Contemporáneos y Pontifi cia UniversidadJaveriana, Instituto Pensar, 2007.

MIGNOLO, Walter. Desobediencia Epistemica (II), Pensamiento Independiente y Libertad De-Colonioal. Revista de Estudos Críticos Otros logos, Año I. Nro, 1, 2010.

ORLANDI, Eni. Terra à Vista Discurso do Confronto: Velho e Novo Mundo. Campinas, SP:Editora da UNICAP, 2008.

QUIJANO, Aníbal. Colonialidad y modernidad-racionalidad. In: BONILLO, Heraclio (comp.). Los conquistados. Tradução de wanderson flor do nascimento Bogotá: Tercer Mundo Ediciones; FLACSO, 1992.

_________. Colonialidade do poder, eurocentrismo e América Latina. In: LANDER,  Edgardo (Org.). A colonialidade do saber: eurocentrismo e ciências sociais. Perspectivas latino-americanas. Colección Sur Sur, Clacso, Buenos Aires – Argentina, setembro 2005.

_________. Colonialidade do poder e classificação social. In: SANTOS, Boaventura de Sousa,  MENEZES Maria Paula (Orgs.). Epistemologia do Sul. São Paulo: Cortez, 2010.