Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, X Mostra da Pós-Graduação: Direitos Humanos, trabalho coletivo e redes de pesquisa na Pós Graduação

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Saúde Mental e Atenção Psicossocial às pessoas que fazem uso de drogas em Cuiabá – MT: (des) articulações e (des) institucionalização.
Morgana Moreira Moura, Dolores Cristina Gomes Galindo

Última alteração: 04-10-18

Resumo


a presente pesquisa de doutorado tem por finalidade investigar a rede de atenção e cuidado às pessoas que fazem uso de drogas em Cuiabá – MT, questionando a articulação dos serviços e sua contribuição (ou não) para o processo de desistitucionalização da(o) usuária(o). Para isso, esse trabalho traça uma articulação teórica entre os estudos antiproibicionistas, que trabalham as políticas de drogas numa perspectiva anticriminalista; política de Redução de Danos, articulando a própria política nacional normatizada por leis e decretos; Saúde Mental e atenção psicossocial, que segue na contramão dos modelos manicomiais, Processos grupais, entendendo nesse trabalho o grupo como dispositivo; estudos esquizoanalíticos que atravessam o trabalho nos aspectos ontológicos e epistemológicos, evidenciando sua dimensão ético-estético-política; Cartografia como método de pesquisa intervenção cuja direção clínico-política garante uma investigação e comunicação que não se esgotam nos eixos hegemônicos de organização do socius, impedindo qualquer pretensão de neutralidade ou mesmo suposições; e por fim, as articulações com Arte Contemporânea, mas busco articulação com a estética da arte contemporânea para construir novas poéticas que pulsam nos percursos de afirmação da vida. Assim, foi desenvolvida uma pesquisa-intervenção junto aos serviços abertos que compõe a Rede de Atenção Psicossocial em Cuiabá, tais como os Centros de Atenção Psicossocial – álcool e outras drogas (CAPS-ad), e a unidade de internação psiquiátrica de álcool e outras drogas do Centro Integrado de Atenção Psicossocial Adauto Botelho. Nessa imersão, foram desenvolvidos grupos formativos com os servidores sobre redução de danos e dispositivos grupais com os usuários, trazendo a arte contemporânea como estratégia terapêutica. Em fase de escrita final, a pesquisa possibilitou algumas considerações: observou-se que a criminalização é ferramenta de aniquilação de subjetivações dissidentes; a desarticulações e desatualização favorecem a manutenção de modelos higienistas; evidenciou-se a potência das poéticas insurgentes e das práticas inventivas na confluência entre Arte e Psicologia. Considerando que há ainda em funcionamento no estado dois dispositivos que lançam mão da internação psiquiátrica como estratégia de atenção e cuidado a esse público, ousamos apontar a possibilidade de que há uma desarticular dos serviços (limitando-se ao aspecto da saúde) priorizando a internação aos demais serviços de atenção psicossocial, contribuindo assim para institucionalização desses usuários bem como para estratégias de atenção oriundas de um modelo de repressão.


Palavras-chave


política de drogas; Psicologia Social; Arte Contemporânea

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