Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, X Mostra da Pós-Graduação: Direitos Humanos, trabalho coletivo e redes de pesquisa na Pós Graduação

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PRODUÇÃO ASSOCIADA E PRODUÇÃO DE SABERES: O trabalho e seu princípio educativo
Eva Emilia Freire do Nascimento Azevedo, Edson Caetano

Última alteração: 03-10-18

Resumo


Na perspectiva do materialismo histórico dialético, o trabalho assume centralidade e sobre esse tema, autores e autoras tem se debruçado e contribuído com estudos e pesquisas que, especialmente na contemporaneidade, apontam os rebatimentos do capitalismo na vida dos trabalhadores e trabalhadoras, que precisam vender sua força de trabalho para garantir minimamente as suas existências. Assim, esse texto propõe apresentar uma breve discussão acerca da Produção Associada e da Produção de Saberes – experiências essas que permite o conhecimento de outras realidades, nas quais o trabalho possui princípio educativo, que, em muito difere daquele moldado e produzido sob os ditames do modo de produção vigente. Verifica-se que, a partir dos anos 1980, quando o modelo neoliberal de acumulação do capital se consolidou, aconteceram algumas mudanças, dentre elas: a “nova organização da produção”; “a busca de novos serviços, produtos e mercados”; “a criação de novas necessidades e flexibilidade do consumo, da produção e do trabalho” (CAETANO, 2011). Obviamente esse pacote trouxe também consequências como o aumento do desemprego, da precarização do trabalho, do enfraquecimento dos sindicatos; diminuição de rendimentos para os assalariados, do trabalho nas indústrias, do número de trabalhadores com Carteira de Trabalhado assinada (CAETANO, 2011), além dos projetos de reformas trabalhista e previdenciária, que flexibilizam direitos historicamente conquistados. Nesse modelo hegemônico, a produção é também compartimentada, podendo um simples livro infantil ser escrito aqui e fabricado na China, ou seja, não permitindo que os trabalhadores dominem todo o processo de produção. Em uma outra direção, são encontradas em todo mundo, experiências de Produção Associada que pressupõem uma forma distinta de organização e gestão do trabalho, onde trabalhadoras e os trabalhadores são proprietários dos instrumentos e meios de produção e as mercadorias não se separam de quem as produz (CAETANO, 2011). Como a propriedade e/ou posse dos meios de produção é coletiva; inexiste um único proprietário a quem os outros estão submetidos; as pessoas se associam livremente, com o poder de decidir coletivamente acerca do que e como fazer o processo de produzirem as suas existências (com os ônus e bônus decorrentes), participando dele do início ao fim. Na Produção Associada, destaca-se a Produção de Saberes, ou seja, os conhecimentos produzidos no, com e pelo trabalho, que são decorrentes também dos saberes da experiência concreta dos trabalhadores e trabalhadoras em todos os espaços onde se inserem e transitam. Por isso, dizemos que, as práticas decorrentes dessas experiências “não-formais” de educação, nesse caso, a Produção Associada, podem trazer aprendizagens político-sociais-pedagógicas que possibilitem uma formação diferenciada, numa outra perspectiva que não aquela voltada para exploração, para o individualismo, para interesses privados, mas sim, para a formação de cidadãos no mundo conscientes de seus reais interesses, realidade e necessidades, baseados em princípios voltados para uma outra sociabilidade.


Palavras-chave


Produção Associada; Produção de Saberes; Trabalho; Educação

Referências


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