Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, X Mostra da Pós-Graduação: Direitos Humanos, trabalho coletivo e redes de pesquisa na Pós Graduação

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A ESCUTA DE VÍTIMAS DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA: História de mulheres abrigadas
Jackeline Jardim Mendonça, Vera Lucia Blum

Última alteração: 04-10-18

Resumo


A partir da década 70, teóricas brasileiras e movimentos feministas começaram a destacar nossas desigualdades de gênero e lutar pelo apoio e responsabilização do Estado brasileiro quanto a violência contra mulheres. A resposta mais efetiva do Estado para garantia de direitos das mulheres veio no ano de 2006, com a promulgação da Lei Federal nº 11.340 de 07 de agosto de 2006 - a Lei Maria da Penha. A citada lei em seu art. 5º diz que violência doméstica e familiar contra a mulher se configura como “qualquer ação ou omissão baseada no gênero que lhe cause morte, lesão, sofrimento físico, sexual ou psicológico e dano moral ou patrimonial”. O recorte desta pesquisa é feito a partir de casos de violência que necessitam da atuação efetiva do Estado para a proteção da vítima, de modo que as mulheres participantes são mulheres acolhidas em uma Casa de Amparo. Infelizmente, parte das mulheres vítimas de violência doméstica é vitimada por anos.  Deste modo, observando algumas histórias familiares, nos deparamos com uma questão. O que contribui para que uma mulher permaneça tanto tempo em um relacionamento abusivo, violento, com maus-tratos físico, psicológico e sexual? Buscando respostas na literatura, encontramos uma recorrente indicação de que existe na história de vida das vítimas uma organização histórica familiar onde violências já ocorriam antes daquela perpetrada pelo parceiro afetivo, sendo assim, muitas gerações de famílias conviveram e convivem com tal situação. Para pensarmos essas histórias nos embasaremos na interpretação psicanalítica de um fenômeno nomeado como transgeracionalidade psíquica. Mas de que se trata a transgeracionalidade? Tal fenômeno sugere que a mulher convive com uma situação que não se originou na história dela, mas sim, no seio de sua família, derivada da história de gerações anteriores a dela (de sua mãe, pai, avó, avô, etc). Tal fenômeno se organiza com base em reedições da história da família. Em famílias onde essas repetições – reedições – surgem geração após geração, existe uma compulsão à repetição na tentativa de simbolizar as heranças psíquicas não nomeadas, desconhecidas e reprimidas. O percurso metodológico ao qual nos propomos estabelece nossa pesquisa nas metodologias qualitativas, de natureza exploratória-descritiva, as participantes serão mulheres, vítimas de violência doméstica e como instrumentos para coleta de dados, faremos uso de rodas de conversa e entrevistas individuais. Tem-se como objetivo geral desta pesquisa a investigação sobre como se estruturou a ocorrência da violência doméstica na história destas mulheres.


Palavras-chave


Violência doméstica; Escuta Psicanalítica; Transgeracionalidade.

Referências


sem citações incluídas