Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, X Mostra da Pós-Graduação: Direitos Humanos, trabalho coletivo e redes de pesquisa na Pós Graduação

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GEOQUÍMICA E GEOCRONOLOGIA U-PB DO MAGMATISMO PALEOPROTEROZÓICO DA REGIÃO DE SANTANINHA, SE DO CRÁTON AMAZÔNICO
Luisa Gomes Braga, Ronaldo Pierosan, Mauro Cesar Geraldes, Brunno Bollella, Weslley Silva

Última alteração: 26-10-18

Resumo


A região de Santaninha, situada no sudeste do Cráton Amazônico e a noroeste da cidade de Vila Rica-MT, é caracterizada pela ocorrência de associações vulcano-plutônicas Orosirianas. Este magmatismo é representado pelas rochas vulcânicas da Formação Jarinã e por granitoides das suítes intrusivas Vila Rica e Rio Dourado. O objetivo principal esperado com este trabalho é caracterizar estas associações, tendo como base a obtenção de dados litoquímicos e geocronológicos. A Formação Jarinã (FJ) é constituída por litotipos vulcânicos efusivos e piroclásticos. A fase efusiva é representada por derrames de riodacitos e riolitos, que possuem matriz afanítica, textura porfirítica, estrutura maciça a levemente foliada e afloram em menores proporções quando comparadas com as rochas piroclásticas. Os litotipos explosivos compreendem fluxos piroclásticos representados por ignimbritos andesíticos a dacíticos ricos em cristais e por ignimbritos riolíticos com alto grau de soldagem. Apresentam aspecto porfirítico e são classificados como tufos a cristal e lápili-tufos. Os granitoides da Suíte Intrusiva Vila Rica (SIVR) são classificados como monzogranitos, com quantidades essenciais de biotita e hornblenda representando as principais fases máficas. De modo geral, as rochas são cinza claras, isotrópicas, inequigranulares e de granulação fina a média. A Suíte Intrusiva Rio Dourado (SIRD) constitui-se por biotita sienogranitos, de cor rosa avermelhada, granulação grossa e texturas equigranular e rapakivi. A caracterização geoquímica possibilitou definir dois grupos de rochas com assinaturas distintas. O primeiro grupo, formado por riodacitos, ignimbritos andesíticos a dacíticos e pelos monzogranitos da SIVR, apresentam assinatura cálcio-alcalina alto-K, caráter metaluminoso e afinidade com magmas magnesianos. Exibem leve enriquecimento de LILE em relação aos HFSE e anomalias negativas acentuadas de Nb, Ta, P e Ti, além de moderado fracionamento dos ETR pesados e sutis anomalias de Eu. Em diagramas de classificação geotectônica são compatíveis com granitoides de arco vulcânico (VAG) e tipo-I, podendo estar relacionados a zonas de subducção ou a ambientes pós-colisionais. O segundo grupo é constituído pelos litotipos vulcânicos representados por riolitos efusivos e ignimbritos riolíticos, além dos sienogranitos da SIRD. Estas rochas possuem um caráter mais ácido, tendência peraluminosa, assinatura de tendência alcalina e afinidade com magmas ferrosos. Exibem pronunciadas anomalias negativas de Sr, P e Eu. Assemelham-se a granitoides pós-colisionais, relacionados a ambientes de arco vulcânico e afinidade tipo-A2. Datações radiométricas U-Pb em zircão por LA-ICP-MS forneceram idades de cristalização de 2010±13 Ma para um ignimbrito dacíticos e de 1995±14 Ma para um hornblenda-biotita monzogranito. Para o litotipo vulcânico, a idade adquirida, considerando o erro estatístico, é coerente com a idade de 1987±14 Ma atribuída a Formação Jarinã. A idade de cristalização do monzogranito é semelhante as idades obtidas para Suíte Intrusiva Vila Rica, de 1990±12 Ma e 1976±9 Ma, no nordeste de Mato Grosso.


Palavras-chave


Cráton Amazônico; Idades U-Pb; Litoquímica; Orosiriano